O governo federal definiu uma relação com 27 substâncias estratégicas que vão orientar o direcionamento de recursos públicos e políticas de fomento no setor extrativo brasileiro. A decisão foi tomada durante encontro do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, realizado na última quinta-feira (5).
Critérios de seleção e foco em veículos elétricos
Para estruturar o ranking, que foi dividido em três níveis de urgência, o governo avaliou cinco fatores principais: vulnerabilidade geopolítica, concentração do mercado global, nível de substituibilidade, grau de maturidade da cadeia produtiva nacional e o grau de dependência externa do Brasil.
Os elementos posicionados no topo da lista possuem papel central na fabricação de baterias para automóveis elétricos, sistemas de armazenamento energético e ímãs permanentes.
Metas para a nova indústria nacional
A regulamentação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi sancionada em setembro, após aval do Congresso. A legislação prevê a injeção de até R$ 7 bilhões por meio de incentivos direcionados ao processamento e à transformação dessas riquezas minerais.
O objetivo central é encerrar a dependência externa de produtos industrializados e fomentar uma nova cadeia produtiva interna. Atualmente, o país detém a segunda maior reserva global de grafita, a terceira de níquel e a quarta de manganês.
Declarações oficiais sobre o plano estratégico
Durante o encontro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, pontuou a mudança de postura econômica planejada para o setor.
“Por muito tempo exportamos essa riqueza em estado bruto e importamos o produto pronto, com valor agregado lá fora. Queremos romper esse ciclo e definir uma estratégia para o desenvolvimento aqui”, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participou das discussões e reforçou a necessidade de firmar cooperações internacionais para viabilizar o projeto industrial.
“Não queremos fazer com que o Estado seja o senhor supremo da exploração, da transformação, da industrialização. Nós queremos construir parceria, precisamos aprender. Precisamos construir com outros países que queiram participar conosco do processo de transformação e exploração dessa riqueza.”
Hierarquia dos minerais estratégicos
Compilada a partir de bases de dados de pastas como o Ministério de Minas e Energia e o BNDES, a listagem poderá ser atualizada futuramente.
Na prioridade alta constam terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio. O nível médio engloba tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre. Por fim, a prioridade baixa reúne nióbio, estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e o grupo da platina.