A renúncia de Santiago Peña e a consequente crise política no Paraguai, deflagrada pela quebra do Ueno Bank, acendem um sinal amarelo para as autoridades brasileiras em relação à cooperação mútua no enfrentamento ao crime organizado.
Impacto na segurança da fronteira
De acordo com apuração junto a integrantes do Itamaraty, o cenário de incertezas preocupa o governo brasileiro devido à importância estratégica da região de divisa entre as nações, historicamente utilizada como rota para o contrabando, o narcotráfico e o tráfico de armas.
A principal dúvida gerada pela instabilidade institucional é saber como ficará a condução das políticas públicas de segurança no território paraguaio e se a parceria bilateral nas investigações contra facções será mantida nos moldes atuais.
Alinhamento internacional e o “Escudo das Américas”
Outro elemento de incerteza envolve a relação diplomática com os Estados Unidos. Durante sua gestão, Santiago Peña aproximou o país do presidente norte-americano Donald Trump e integrou o Paraguai ao bloco “Escudo das Américas”, iniciativa voltada para classificar grupos criminosos como narcoterroristas.
Esse alinhamento geopolítico era visto com ressalvas pelo Brasil, que agora aguarda para definir se o futuro governo paraguaio dará continuidade a essa mesma estratégia internacional.
Aproveitamento pelas organizações criminosas
As autoridades brasileiras monitoram a situação de perto, pois a transição de poder pode criar um vácuo favorável à atuação de quadrilhas transnacionais na região de fronteira.
O cenário institucional delicado exige atenção redobrada da diplomacia brasileira para evitar prejuízos na segurança regional e no combate coordenado ao crime na América do Sul.