Como o campo e as cozinhas solidárias afastam a fome no país

Segurança alimentar exige esforço coletivo e articulação

A união entre a produção agrícola sustentável e a mobilização comunitária tem sido um pilar decisivo para consolidar a segurança alimentar em território nacional. Na celebração do Dia Mundial da Alimentação, realizada nesta sexta-feira (16), pequenos produtores rurais e coordenadores de iniciativas sociais reafirmam a eficiência dessa sinergia coletiva. O reflexo desse empenho conjunto apareceu nos dados divulgados em julho pela Organização das Nações Unidas, que confirmaram que o Brasil manteve a taxa de pessoas subnutridas abaixo de 2,5% ao longo do último triênio, mantendo a nação fora do Mapa da Fome.

Cultivo agroecológico fortalece o abastecimento local

Na base dessa engrenagem produtiva estão trabalhadores como Hosana Alves do Nascimento, descendente de agricultores familiares. Na região de São Sebastião, cidade-satélite localizada no Distrito Federal, ela transformou um terreno em meio à área urbana em um produtivo modelo de sistema agroflorestal. A propriedade concilia o plantio de itens de ciclo rápido — como raízes, hortaliças e verduras — com espécies oleaginosas e árvores frutíferas.

“Como é uma área pequena, então a gente otimizou para dar muita coisa. A nossa produção é considerada agroecológica, porque não usa veneno”, diz.

A colheita desses alimentos sem defensivos químicos amplia a variedade nutricional disponível para quem mais precisa, revelando contrastes marcantes da vulnerabilidade social. Hosana, habituada à diversidade de espécies da sua horta, recorda episódios que evidenciam essa carência na ponta final: “Em uma das entregas, um menininho perguntou à mãe: ‘Nós vamos comer melancia?’ Aquilo me doeu por dentro, de a criança não ter acesso a uma simples melancia”, conta a produtora.

Acolhimento e dignidade em volta da mesa

Os produtos agroecológicos colhidos no campo abastecem iniciativas de suporte social, entre as quais se destaca a Cozinha Solidária Cantinho da Vovó, em Brasília. A entidade é gerida por dona Maria do Cerrado, liderança comunitária que coordena a distribuição de refe

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