Flávio Bolsonaro responde a três inquéritos abertos no STF

Flávio Bolsonaro é investigado em três inquéritos no STF

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) figura no centro de três procedimentos investigatórios sob análise no Supremo Tribunal Federal. Os inquéritos apuram frentes distintas: suspeitas de lavagem de capitais e evasão de divisas ligadas a apostas esportivas, supostas ilegalidades na captação de recursos para uma obra cinematográfica e uma denúncia de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Suspeitas de lavagem de dinheiro e repasses milionários

A apuração mais recente e de maior repercussão mira a relação financeira entre o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Conforme relatórios da Polícia Federal, foram detectadas transações de R$ 130 milhões realizadas de março a maio de 2025, valores considerados desproporcionais aos rendimentos declarados do senador. A apuração inicial tramitava na 11ª Vara Federal de Porto Alegre com foco em apostas online, mas subiu à Suprema Corte em outubro diante do foro por prerrogativa de função de Flávio.

Ao analisar dados armazenados na nuvem do celular de Tomaz, os investigadores identificaram registros de viagens conjuntas para o exterior, fotos de convívio familiar e uma mensagem enviada por uma assessora tratando da retirada do nome do parlamentar de uma conta no Banco Santander. O caso foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que determinou a quebra do sigilo bancário do advogado.

Retenção de passaporte e saída do país

Embora um relatório posterior do Santander tenha informado a ausência de indícios da participação do senador na conta sob suspeita, a Polícia Federal solicitou a apreensão do passaporte de Flávio após declarações públicas de seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, indicando uma possível viagem ao exterior. Moraes autorizou a retenção cautelar do documento, mas a notificação formal ocorreu após o senador já ter embarcado para fora do Brasil. Aliados do congressista contestam a medida, classificando a decisão como desprovida de base técnica diante dos dados bancários apresentados.

Captação para produção cinematográfica e queixa de calúnia

Outra frente apura irregularidades no custeio de “Dark Horse”, longa-metragem biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com apurações jornalísticas, o parlamentar teria solicitado um montante superior a R$ 100 milhões ao empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para viabilizar as filmagens. O senador nega qualquer desvio, sustenta que o projeto utilizou apenas verbas privadas, mas ainda não apresentou a prestação de contas dos valores.

O terceiro inquérito decorre de uma postagem feita por Flávio Bolsonaro no dia 3 de janeiro na rede social X. Na ocasião, o senador associou o presidente da República a práticas de lavagem de capitais e tráfico de drogas, o que motivou a abertura de apuração por suposto crime contra a honra.

Sob a relatoria dividida entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, os inquéritos podem seguir no tribunal mesmo após o encerramento do mandato de Flávio, previsto para fevereiro de 2027, desde que a Corte reconheça ligação direta entre as condutas apuradas e o exercício do cargo legislativo.

Mais recentes

PUBLICIDADE