A recente ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos recolocou em evidência o empresário Paulo Marinho, primeiro suplente da chapa eleita em 2018. Antigo aliado da família do ex-presidente, Marinho protagonizou rompimentos e reconciliações com o grupo político ao longo dos últimos anos, chegando a declarar voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no pleito de 2022.
Regras para a troca de cadeira no Congresso
Apesar da ausência do titular em território nacional, a assunção do suplente não ocorre de maneira imediata. De acordo com as normas da Constituição Federal, a vaga de um senador só é aberta formalmente diante de falecimento, renúncia, cassação do mandato ou caso o parlamentar solicite uma licença superior a 120 dias. Na linha sucessória de Flávio, Marinho ocupa o primeiro posto, seguido pelo empresário Leonardo Rodrigues.
Deixar o país, ainda que por tempo indeterminado, não resulta na perda automática do cargo legislativo. O mandato também pode ser extinto pela Mesa Diretora caso o congressista falte a pelo menos um terço das sessões ordinárias do ano sem justificativa oficial. Contudo, como a atual legislatura se encerra em fevereiro de 2027, restam pouco mais de três meses de exercício, inviabilizando na prática a contagem de prazo para perda por infrequência. Até o momento, o parlamentar não protocolou pedido de licença nem renúncia formal.
Histórico de rompimento e reaproximação com os Bolsonaro
A relação entre Marinho e os Bolsonaro começou a mudar em maio de 2020. Naquele momento, o suplente concedeu entrevista afirmando que Flávio havia recebido informações privilegiadas de um delegado da Polícia Federal, no intervalo entre os turnos de 2018, sobre a deflagração da Operação Furna da Onça, ação que mirava a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e envolvia o ex-assessor Fabrício Queiroz.
Na época, Flávio rejeitou veementemente as declarações, acusou o colega de chapa de inventar a história para tentar usurpar sua cadeira e cortou relações. O afastamento persistiu até 2024, quando ambos voltaram a dialogar. Antes de selar a paz, Marinho presidiu o diretório do PSDB no Rio de Janeiro e, posteriormente, migrou para o Republicanos em 2023.
Saída do país e investigações no STF
O desembarque de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos ocorreu após a derrota para Lula na eleição de domingo (25). O senador contestou a apuração das urnas e, no dia seguinte, recebeu uma intimação da PF determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes.
Após não apresentar os documentos, as autoridades cancelaram seus passaportes comum e diplomático. Por receio de uma eventual prisão, o parlamentar viajou de madrugada acompanhado da esposa e das duas filhas. No Supremo, ele responde a apurações que envolvem o financiamento do filme “Dark Horse” via Banco Master, sob relatoria de André Mendonça, e uma investigação de suposta lavagem de dinheiro ao lado do advogado Willer Tomaz, relatada por Moraes. Flávio classificou a apuração como “fake news”, enquanto Tomaz sustenta não ter cometido irregularidades.
Perfil e trajetória de Paulo Marinho
Carioca de 74 anos, Paulo Roberto Franco Marinho possui longa trajetória nos setores financeiro, naval e de comunicação. Sua carreira inclui passagens pela Excelsior Seguros, a direção do estaleiro Verolme com Nelson Tanure e cargos executivos no Jornal do Brasil e na Gazeta Mercantil.
Além da atuação corporativa, concorreu internamente como pré-candidato à prefeitura do Rio em 2020. No âmbito familiar, é pai do humorista André Marinho e da cantora Giulia Be, casada com Conor Kennedy, filho do secretário de Saúde norte-americano, Robert Kennedy Jr.