Centenas de cidadãos se reuniram em frente aos portões do Palácio da Alvorada, em Brasília, nesta terça-feira (27), para celebrar o aniversário de 81 anos de Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro ocorreu dias após a confirmação do quarto mandato do mandatário nas urnas, alcançado com mais de 64 milhões de votos.
Emoção e reconhecimento aos votantes da terceira idade
Durante a confraternização popular com bolo e cantos de parabéns, o chefe do Executivo demonstrou forte comoção ao abordar a participação dos cidadãos mais velhos no pleito. O governante destacou que muitas pessoas com mobilidade reduzida insistiram em comparecer às urnas, amparadas por familiares ou transportadas em cadeiras e macas.
“Eu estava vendo o vídeo dos velhinhos votarem. Eu, sinceramente, acho que foi a imagem mais forte e humana que já vi em uma eleição”, disse o presidente, com os olhos marejados.
Em seu discurso aos presentes, Lula enfatizou o sentimento de gratidão reiteradas vezes. Ele mencionou a memória de sua mãe, Dona Lindú, falecida aos 64 anos em decorrência de um câncer no útero, além de destacar a atuação de mulheres e da juventude sem filiação partidária nas ruas. O petista reforçou o compromisso com a área assistencial: “Nós precisamos aprimorar as políticas sociais”, garantiu.
Histórias de superação e apoio de longa data
Entre os apoiadores presentes estava a aposentada potiguar Cícera Brasil, de 90 anos, que viajou acompanhada da filha Renilda e da neta Ludmila, de 30 anos. Nascida em Caicó (RN), Cícera migrou para o Distrito Federal em 1969 com o marido marceneiro e três filhos pequenos. Ela deposita seu voto no petista desde o pleito de 1989 e credita aos mandatos anteriores a transformação socioeconômica da família.
“Todos os meus filhos e netos puderam estudar. Ele sempre inspirou minha família a acreditar que era possível ter uma vida digna”.
Sentimento parecido mobilizou Rivanda Pereira da Silva, de 71 anos, que reside em Samambaia. Natural de Teresina (PI), ela chegou à capital federal em 1962 e, filha de pedreiro, precisou trocar a sala de aula pelo trabalho precoce. Votante assídua do líder petista desde 1989, ela relata que passou a valorizar a educação formal a partir de 2003.
“Esses idosos demonstraram a coragem de dizer ao mundo que o Brasil não é quintal de ninguém”, disse Rivanda Pereira da Silva, de 71 anos, moradora de Samambaia, periferia do Distrito Federal, que ficou emocionada em votar e hoje ao cantar parabéns ao presidente que tem o mesmo sobrenome dela.
“Sou mais uma Silva que votou nele”.
A piauiense, mãe de dois filhos, avó de cinco netos e bisavó, ressaltou o papel do mandatário na mudança de perspectiva familiar: “Esse presidente me fez pensar muito sobre isso”, explica.
Poesia operária e impacto dos programas sociais
A literatura também marcou presença na celebração através de Henrique Pereira de Oliveira, de 73 anos. O operário da construção civil, que migrou de União (PI) para o centro do país em 2004, custeia com os próprios rendimentos a publicação de suas obras literárias dedicadas ao governante.
“Eu via esse homem e me deu vontade de escrever. Não tinha nem chegado no primário. Mas eu precisava falar”.
Carregando exemplares de suas criações — incluindo o lançamento mais recente, O indomável Lula —, Henrique expressou a vontade de presentear o presidente pessoalmente durante o novo ciclo de governo.
“Hoje eu sabia que seria difícil porque tem muita gente. Mas tem mais um mandato pela frente. Ele me inspira muito. Não há felicidade maior do que estar misturado com o povo que o elegeu presidente”, afirma.
A continuidade das diretrizes federais também foi celebrada por profissionais liberais como a advogada pernambucana Lígia Câmara, de 48 anos, natural de Garanhuns, que apontou o pleito como um símbolo de “Esperança de mantermos nosso país soberano e livre da possibilidade de termos um projeto de governo que é excludente com as minorias.”
A oftalmologista baiana Barbra Bita compartilhou percepção similar ao avaliar o impacto histórico do presidente: “Nestes três mandatos, representou a esperança de que um país mais justo, solidário e humano é possível. Para mim e para milhões de brasileiros.”
Para as novas gerações, as políticas de inclusão deixaram marcas diretas. A auxiliar administrativa Kemilly Pereira de Souza, de 26 anos, relatou a emoção no dia da votação ao lembrar que ela e o pai concluíram o ensino superior por meio do Programa Universidade para Todos.
“A gente achava que não seria possível ter uma graduação, pelo valor. Ele não conseguiria sozinho. Com o Prouni, meu pai conseguiu”, reconheceu Kemilly.
Com a nova posse e o encerramento do ciclo aos 85 anos, Lula consolida-se como o governante mais velho a comandar o Poder Executivo brasileiro.