Ao longo das dez eleições presidenciais diretas realizadas desde o fim da ditadura militar, os eleitores de Campinas (SP) acertaram o vencedor nacional em seis ocasiões, mas acumularam uma sequência de divergências nos últimos anos, elegendo o candidato derrotado em quatro dos cinco pleitos mais recentes.
Histórico recente em Campinas O episódio mais recente ocorreu quando Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 360.222 votos, o que representou 54,24% da preferência no município.
Apesar de o atual cenário demonstrar alinhamento com a direita nas urnas locais, a cidade já registrou vitórias expressivas de nomes da esquerda em disputas passadas pelo Palácio do Planalto.
Divergências com o cenário nacional Em 2006, por exemplo, o Partido dos Trabalhadores obteve maioria na região com Luiz Inácio Lula da Silva somando 293.844 votos contra 257.031 de Geraldo Alckmin, então no PSDB.
Essa votação representou o segundo triunfo petista em Campinas, repetindo o feito de 2002, quando Lula superou José Serra ao atingir 322.046 apoios locais contra 200.606 do adversário tucano.
Descompasso nas urnas A estatística revela que o eleitor campineiro tem caminhado na contramão da tendência do país. Nas últimas cinco disputas gerais, somente em 2018 o vitorioso na cidade, Jair Bolsonaro (PL) contra Fernando Haddad (PT), também triunfou nacionalmente.
Além de Serra, Jair Bolsonaro (em 2022) e Flávio, Aécio Neves integra o grupo de derrotados na corrida nacional que liderou a contagem de sufrágios na metrópole paulista, após superar Dilma Rousseff (PT) na disputa de 2014.
Raio-X das eleições presidenciais na cidade O panorama completo das votações no município desde o término do regime militar demonstra a alternância de preferências:
* 1989: Fernando Collor (231.245) x Lula (195.341) * 1994: Fernando Henrique Cardoso (209.338) x Lula (133.321) * 1998: Fernando Henrique Cardoso (240.348) x Lula (149.855) * 2002: José Serra (200.606) x Lula (322.046) * 2006: Geraldo Alckmin (257.031) x Lula (293.844) * 2010: José Serra (288.115) x Dilma Rousseff (269.856) * 2014: Aécio Neves (366.419) x Dilma Rousseff (227.776) * 2018: Jair Bolsonaro (401.284) x Fernando Haddad (181.841) * 2022: Jair Bolsonaro (368.251) x Lula (286.779) * 2026: Flávio Bolsonaro (360.222) x Lula (303.914)
A discrepância consolidada nas urnas campineiras evidencia como o comportamento político da região frequentemente diverge do resultado apurado no restante do território brasileiro.