Unicamp cria curativo líquido à base de cana-de-açúcar

Pesquisa cria curativo líquido de cana-de-açúcar para substituir ataduras e reduzir resíduos

Cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criaram uma solução inovadora capaz de substituir curativos tradicionais, como gazes e ataduras, utilizando a cana-de-açúcar como matéria-prima. O novo produto é um curativo líquido, atóxico e biodegradável, que forma uma película transparente sobre a pele, sendo absorvido pelo próprio organismo conforme a ferida se recupera.

Tecnologia promete acelerar a cicatrização

A aplicação do material é feita via spray ou dispositivos portáteis, facilitando o uso tanto em medicina humana quanto veterinária. De acordo com os pesquisadores, testes pré-clínicos realizados em parceria com a Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) demonstraram que a tecnologia pode reduzir pela metade o tempo necessário para o fechamento de feridas. Além disso, a inovação possui potencial para ser utilizada em dermocosméticos, revestimentos de próteses e sistemas de liberação controlada de fármacos.

Processo de criação e funcionamento

O desenvolvimento da tecnologia baseia-se na transformação do açúcar em ácido lático por meio de processos de fermentação. A equipe, composta por especialistas da Unicamp, buscou criar um filme que não apenas protegesse o local, mas que também interagisse com o tecido biológico.

“Estamos formando um filme inteligente, no sentido de que ele interage muito bem com a pele e cria uma condição de barreira contra agentes externos que causam infecção, servindo como substrato para acelerar a cicatrização da ferida”, disse Maciel Filho.

A química Ana Flávia Pattaro reforça que o material garante uma recuperação de alta qualidade. “O formato da cicatrização também é adequado e tem todas as características necessárias para uma boa cicatrização”, explicou.

Vantagens ambientais e práticas

Um dos grandes diferenciais do curativo é sua resistência à água e transparência, permitindo o monitoramento constante da lesão sem a necessidade de remover a proteção. Por ser absorvido pelo corpo, o produto evita a geração de resíduos hospitalares e reduz riscos de infecções causadas pela troca constante de curativos convencionais.

“O fato de não precisar cortar e não precisar trocar também traz uma potencial diminuição na contaminação cruzada”, afirmou Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon.

A tecnologia, que já teve o pedido de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), é fruto de uma colaboração entre a universidade e a Dermbio Biotech. Atualmente, o projeto avança para as etapas regulatórias necessárias antes de iniciar os testes em pacientes.

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