Midterms 2026: os maiores desafios de Donald Trump e o futuro dos EUA

Midterms 2026: Principais desafios de Trump e o que está em jogo para ele

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos colocam à prova a popularidade do governo e o controle político do presidente Donald Trump. Diante de um cenário de baixa aprovação e vantagem democrata nas pesquisas para o Congresso, o mandatário americano tem buscado mobilizar sua base eleitoral para reverter o quadro adverso.

Desafios e a queda na aprovação do governo O momento político é delicado para a Casa Branca. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em outubro aponta que apenas 32% dos americanos aprovam a gestão atual. A insatisfação popular é alimentada principalmente pela alta da inflação e pelo encarecimento do custo de vida, sobretudo no setor de combustíveis.

A isso se soma o desgaste gerado pelo conflito com o Irã, iniciado em fevereiro, que segue sem perspectiva de acordo e pressiona ainda mais a imagem do presidente perante o eleitorado.

O impacto na base MAGA e no Congresso Para especialistas, a dificuldade em cumprir promessas de campanha tem gerado atritos com os apoiadores mais fiéis do movimento MAGA (Make America Great Again).

Segundo Hussein Kalout, cientista político e pesquisador da Universidade Harvard, a base tem cobrado o cumprimento dos compromissos assumidos. “Apoiadores fervorosos se desvinculam dele, pois entendem que a causa MAGA não é implementada como ele prometeu”, avalia. O pesquisador complementa que “[Essas pessoas] acreditam que ele fez uma guerra dos interesses de Israel [no caso do Irã] e que se move por interesses de corporações, e não do interesse americano coletivo”.

Na mesma linha, Silvio Cascione, diretor da consultoria Eurasia Group no Brasil, aponta que o desgaste econômico e o conflito militar pesam contra o governo. “O cenário [ruim para o presidente] avançou com a guerra e os efeitos sobre os preços, que têm baixado a aprovação do Trump”, diz o analista, acrescentando que “A maior implicação disso é que Trump já passou da fase em que ele tem mais capacidade, poder e influência. Ele não é um ‘pato manco’, mas já não está mais no auge deste mandato”.

Política externa e o cenário internacional Com margens estreitas para avançar sua agenda interna caso perca espaço no Capitólio, a política externa pode ganhar ainda mais destaque na segunda metade do mandato. Analistas apontam que Teerã pode estender o conflito para desgastar Washington, aproveitando-se do receio americano com baixas civis.

Para Cascione, a atuação internacional deve se voltar para a América Latina. “Ele está sem muitas boas opções na China, então está ali mantendo uma política de estabilidade. Oriente Médio também com muita dificuldade de sair da crise que ele mesmo causou”, afirma, prevendo que “A nossa leitura é de que ele vai se tornar mais ativo na América Latina. A doutrina ‘Donroe’ vai ser um fator mais visível dessa segunda metade de mandato”.

O que está em jogo nas Midterms e o futuro político O pleito definirá a renovação de todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas no Senado. Manter o controle do Congresso é vital para que os republicanos evitem barreiras legislativas e potenciais investigações conduzidas pelos democratas.

Além disso, o resultado influenciará diretamente a disputa pela sucessão presidencial em 2028, já que a Constituição americana impede um terceiro mandato. Nomes como J.D. Vance, Marco Rubio e Pete Hegseth figuram entre os cotados pelo lado republicano, enquanto os democratas articulam nomes como Gavin Newsom, Josh Shapiro e Alexandria Ocasio-Cortez para a próxima corrida à Casa Branca.

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