Lula debate pautas no Alvorada após reeleição e sofre críticas de Trump

Lula se reúne com Mauro Vieira e recebe ligações de líderes estrangeiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu agenda interna no Palácio da Alvorada nesta segunda-feira (26), um dia após garantir sua reeleição para o quarto mandato. O chefe do Executivo passou o período sem compromissos públicos externos, focando em reuniões com ministros, assessores e conversas telefônicas com autoridades estrangeiras.

Articulação com o Congresso e equipe econômica

No meio da tarde, o presidente recebeu conjuntamente os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Os parlamentares permaneceram reunidos com Lula por cerca de uma hora e meia, em uma visita descrita por assessores como um gesto de cortesia para discutir pautas legislativas. Imagens oficiais mostraram os três de mãos dadas na varanda do palácio.

Em nota, o presidente do Congresso Nacional declarou que, durante a reunião, reafirmou ao presidente da República “o compromisso com o diálogo institucional e a construção de entendimentos em favor do Brasil”, e que “o Senado e a Câmara seguirão atuando com independência, responsabilidade e disposição”.

Ainda no período matutino, Lula se encontrou com o chefe do gabinete pessoal da Presidência da República, Oswaldo Malatesta. À tarde, esteve com os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Morett, em um encontro que já estava programado pela equipe econômica. A reunião coincidiu com um cenário de forte volatilidade no mercado financeiro após o pleito, marcado por alta do dólar, queda na bolsa e o acionamento do circuit breaker.

Diplomacia e viagens internacionais

O chefe de Estado também se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; com o assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim; e com o embaixador Audo Faleiro. O chanceler alinhou com o mandatário possíveis compromissos externos, cuja confirmação ainda depende da agenda oficial.

Estão no radar diplomático a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP), na Turquia, e a reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), nas Filipinas, previstas para a segunda semana de novembro. Também há expectativa para a Cúpula do Mercosul, no Uruguai, nos dias 4 e 5 de dezembro, e para o G20, na Flórida (Estados Unidos), entre 15 e 16 de dezembro.

Repercussão internacional e telefonemas

O cenário externo também foi marcado por declarações e contatos diplomáticos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a jornalistas, sem apresentar provas, que a votação para a Presidência do Brasil “pareceu mais uma eleição fraudada”, embora tenha ressaltado que simpatiza com o petista e mantém boa relação com ele.

Do Palácio da Alvorada, o presidente brasileiro atendeu a uma ligação da presidente do México, Claudia Sheinbaum, que o parabenizou pelo triunfo eleitoral. Segundo a assessoria presidencial, há uma fila de pedidos de ligações de chefes de Estado, mas a confirmação dos atendimentos depende das condições vocais de Lula, que segue com a voz comprometida.

Entre os líderes que já conseguiram falar com o reeleito estão o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz; do Chile, José Antonio Kast; do Uruguai, Yamandú Orsí; e António Costa, presidente do Conselho Europeu.

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