A big tech Meta virou alvo de uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) para conter a disseminação de condutas antidemocráticas no mercado de trabalho. A ação pede que a Justiça determine a exclusão, em no máximo 24 horas, de publicações que estimulam patrões a vigiar redes sociais, demitir, expor ou deixar de contratar funcionários em razão de suas convicções políticas e escolhas nas urnas. A solicitação abrange o Instagram, o Facebook e o Threads, sob pena de indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos perante o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.
Algoritmos e ampliação do alcance
Conforme sustentam os procuradores, a circulação desses materiais se intensificou após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, momento em que administradores de páginas passaram a incitar retaliações corporativas contra empregados com posicionamentos divergentes. O órgão aponta que os sistemas internos de recomendação da empresa norte-americana — incluindo a aba “Explorar” e as sugestões de vídeos no “Reels” — ajudam a impulsionar ativamente postagens que deveriam ser banidas.
A investigação identificou que apenas quatro postagens veiculadas em um perfil de 3,8 milhões de seguidores acumularam cerca de 2 milhões de interações de apoio. “Outras publicações expõem pessoas à ridicularização, com nome e imagem, ou comemoram demissões”, sustenta o MPT.
Escalada nas denúncias de coerção política
O processo reflete o salto de mais de 75% nos relatos de constrangimento e represálias a empregados logo após a conclusão do segundo turno eleitoral, atingindo a marca de 1.459 episódios no país. O balanço reúne queixas de pressões e incentivos ao cancelamento profissional de trabalhadores.
O estado de São Paulo concentra o maior volume de registros, com 620 denúncias formalizadas. O índice segue expressivo em Minas Gerais (351), no Paraná (338), no Rio de Janeiro (252), no Rio Grande do Sul (223) e em Santa Catarina (165).
Audiência marcada para 2027
Apesar da solicitação de urgência assinada por sete membros da Procuradoria do Trabalho para suspender imediatamente os conteúdos ilegais, a 77ª Vara do Trabalho da capital paulista pautou a audiência inaugural da causa apenas para o dia 29 de março de 2027.
Questionada sobre o processo e os apontamentos de responsabilidade civil, a Meta declarou que não irá se pronunciar a respeito do caso.