Em um país onde 63,7% dos municípios não contam com nenhum comércio varejista de livros — totalizando 3.549 cidades sem acesso a esse tipo de estabelecimento —, a Região Metropolitana de Campinas (RMC) apresenta uma realidade privilegiada: cada um dos seus 20 municípios possui ao menos uma livraria em funcionamento.
Campinas concentra mais da metade das lojas da região
Os números levantados pelo instituto IPC Maps revelam a ampla liderança do polo regional. O município de Campinas abriga 253 estabelecimentos, montante correspondente a 52,4% da estrutura existente na metrópole. A cidade também registrou o maior acréscimo em números absolutos no período, com nove lojas a mais.
Na sequência do ranking regional aparecem Americana, com 43 unidades (ganho de quatro novas lojas), e Indaiatuba, que reúne 36 pontos após somar cinco inaugurações. Por outro lado, Vinhedo destacou-se pelo ritmo mais acelerado de crescimento relativo: saltou de 7 para 12 endereços, avanço expressivo de 71,4%, com acréscimo de cinco estabelecimentos.
No extremo oposto da tabela, Holambra registra a menor cobertura da região, contando com apenas uma livraria ativa. Logo em seguida figuram Morungaba e Santo Antônio de Posse, cada qual com duas unidades.
Ritmo abaixo da média brasileira e impacto econômico
No cômputo geral, a RMC viu sua rede de livrarias passar de 466 para 483 estabelecimentos em 2026, o que representou uma elevação de 3,65%. O índice regional foi inferior à média de crescimento observada em âmbito nacional, que bateu 9,2%.
Responsável pelo levantamento, Marcos Pazzini orienta cautela na interpretação desses percentuais. Segundo o pesquisador, o índice brasileiro infla com facilidade quando pequenos municípios que tinham zero estabelecimentos abrem uma única loja, gerando variações estatísticas muito acentuadas.
A atividade livreira continua a enfrentar barreiras severas para garantir sua sustentabilidade financeira, como a forte concorrência exercida pelo comércio eletrônico e a contenção de gastos por parte da população quando o orçamento aperta.
Para Pazzini, os exemplares físicos frequentemente acabam enquadrados como itens supérfluos:
“O comércio como um todo, depois da pandemia, foi o setor que registrou mais baixas em termos de fechamento de empresas. E para muitas famílias, livros não são encarados como investimento, mas sim como despesa. Com isso, em qualquer problema no orçamento, você corta aquilo que considera supérfluo”, diz Pazzini.
Reinvenção cultural marca o Dia Nacional do Livro
As discussões sobre o setor ganham relevo nesta quinta-feira (29), quando se celebra o Dia Nacional do Livro, marco instituído em referência à criação da Biblioteca Nacional, no ano de 1810.
Diante do aperto financeiro e da migração dos leitores para plataformas virtuais, livrarias de rua no polo metropolitano têm apostado na diversificação de serviços e no afeto comunitário. Para resistir e manter as portas abertas, diversos pontos vêm apostando na promoção de saraus, oficinas, grupos de leitura e atividades culturais abertas ao público.