Copom mantém Selic em 13,75% e agro pode travar investimentos em 2027

BC mantém taxa Selic em 13,75% e agro teme limitar investimentos em 2027

O Comitê de Política Monetária optou por manter a taxa Selic em 13,75% ao ano durante sua primeira reunião após o pleito eleitoral, acendendo um alerta vermelho para o setor produtivo nacional.

Impacto no crédito rural e na safra Caso o patamar restritivo dos juros persista, o agronegócio brasileiro corre sério risco de retrair os aportes financeiros e enfrentar graves perdas de produtividade ao longo de 2027. A avaliação é de especialistas do mercado financeiro, que apontam o encarecimento do crédito como principal entrave para a saúde financeira dos produtores na temporada 2026/27.

Uma combinação de fatores desfavoráveis Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, o cenário é agravado pela alta simultânea nos custos de insumos essenciais, como fertilizantes e óleo diesel, somada a preços pouco competitivos no mercado. “Um dos problemas que vamos ter na safra 2026/27 é a combinação muito ruim para o agro”, afirma o economista.

O efeito bola de neve no campo O acúmulo dessas pressões econômicas já forçou agricultores a cortarem verbas destinadas à produção, dinâmica que, aliada a fatores climáticos adversos, ameaça o rendimento das lavouras. Com o crédito escasso e juros elevados, a situação evolui rapidamente para um cenário crítico. “consequentemente, vira uma bola de neve”, pontua Leal, reforçando que qualquer alívio futuro dependerá de ações governamentais para a renegociação de dívidas.

Projeções pessimistas para o crédito Análise do Rabobank aponta que a inflação persistente e os riscos globais devem forçar a manutenção da taxa em 13,75% até março de 2027, com recuo gradual apenas para 12% no encerramento daquele ano. “A gente não consegue ver os juros abaixo de dois dígitos, pelo menos até o final de 2028”, afirmou o analista de macroeconomia do banco holandês, Renan Alves.

Pressões inflacionárias e riscos climáticos O banco projeta inflação de 5,1% em 2026, estourando o teto da meta, com expectativa de nova aceleração guiada por alimentos e serviços. Para o próximo ciclo, o fenômeno climático El Niño desponta como uma ameaça central para a oferta de alimentos e a estabilidade dos preços, pressionando ainda mais o custo de vida e os rumos da economia nacional.

Mais recentes

PUBLICIDADE