O Mercado Livre divulgou nesta quarta-feira (4) um lucro líquido abaixo das estimativas do mercado para o terceiro trimestre, à medida que maiores gastos em capacidade logística para o pico da temporada de compras pressionaram as margens.
A gigante do comércio eletrônico e dos serviços financeiros apurou um lucro líquido de US$ 448 milhões entre os meses de julho e setembro. O resultado veio abaixo dos US$ 476 milhões que eram esperados por analistas, de acordo com dados levantados pela LSEG.
Retomada do crescimento no lucro Apesar de ficar aquém do consenso, o montante representou um avanço de aproximadamente 6% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Com esse desempenho, a companhia retomou a trajetória de crescimento após enfrentar três trimestres seguidos de queda.
“No trimestre em que você está ampliando a capacidade, ainda não há uma receita correspondente, mas você já arca com os custos”, disse o diretor financeiro do Mercado Livre, Martin de los Santos, em entrevista à Reuters. “Isso gera uma avaliação nas margens, que é compensada no trimestre seguinte.”
Expansão logística e impacto nas margens A empresa explicou que elevou sua capacidade de atendimento — que inclui centros de distribuição voltados ao estoque e ao processamento de mercadorias — em cerca de 20% frente ao trimestre imediatamente anterior. No mesmo período do ano passado, esse índice de ampliação havia sido de 10%, em um movimento estratégico para atender à demanda de eventos promocionais como a Black Friday.
Esse ritmo acelerado de expansão fez com que a margem operacional da companhia recuasse para 6,3%, ficando abaixo dos quase 10% registrados um ano antes e também aquém dos 7% projetados pelas estimativas compiladas pela LSEG.
De los Santos apontou ainda que as margens sofreram impactos adicionais devido ao encarecimento dos custos com frete grátis, impulsionado por expansões recentes realizadas na Argentina e no Brasil, além de despesas maiores com marketing em território brasileiro. A alta no preço dos combustíveis também elevou os gastos operacionais, forçando a companhia a reajustar as tarifas de frete cobradas dos lojistas.
Desempenho da receita no Brasil Em contrapartida, a receita total superou as previsões ao disparar 45%, alcançando US$ 10,75 bilhões. O resultado superou o consenso de mercado de US$ 10,66 bilhões, tendo o Brasil como o principal motor desse avanço para a operação latino-americana.
A disputa entre a aceleração do crescimento e a compressão das margens tem sido uma tônica nos balanços recentes da companhia. A administração tem dado prioridade a aportes pesados para assegurar sua posição de liderança nos segmentos de comércio online e pagamentos digitais na América Latina a longo prazo.
Mesmo com os números, as ações acumulam desvalorização de cerca de 13% no ano, após dispararem quase 140% entre 2023 e 2025.
“Nossos investimentos estão dando resultados. Estamos apresentando um crescimento expressivo e um alto nível de engajamento, pois as pessoas estão comprando com mais frequência”, afirmou de los Santos. “Continuamos muito otimistas em relação à trajetória de margens no longo prazo.”
Avanço do Mercado Pago e crédito No braço financeiro da corporação, o Mercado Pago, a carteira de crédito apresentou uma expansão de 62% na comparação anual, embora tenha demonstrado uma desaceleração no ritmo frente aos trimestres anteriores.
O diretor financeiro admitiu que a empresa adotou uma postura “um pouco mais conservadora” na liberação de novos empréstimos no Brasil e na Argentina, reflexo de um “ciclo de crédito bastante complexo” que afeta ambos os países. Atualmente, o Mercado Livre ostenta o posto de empresa mais valiosa da América Latina.