Ao contrário do que indicavam relatórios preliminares, a Justiça Eleitoral confirmou que somente 343 seções eleitorais tiveram seus endereços modificados em todo o país entre a primeira e a segunda etapa das eleições, marcadas para o próximo domingo (25). A correção veio após um equívoco de interpretação estatística que havia apontado, inicialmente, uma alteração em 4.352 pontos de votação.
Equívoco na alimentação de dados gerou distorção
O presidente do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel), desembargador Carlos Roberto Silva, esclareceu que os registros foram confrontados de forma incorreta com o pleito de 2024. Uma falha operacional dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) durante a inserção de informações na plataforma central causou a inconsistência.
“Esse número de 4.352 seções alteradas é irreal. Não ocorreram alterações de locais em 4.352 seções do 1º para o 2º turno no Brasil inteiro. Foi uma verificação equivocada desse dado. Esse dado de 4,3 mil seções alteradas é de 2024 para 2026”, afirmou o desembargador.
Na terça-feira (20), a contagem do tribunal já havia recuado para 441 locais readequados, diminuindo ainda mais com a revisão consolidada nesta quarta-feira (21).
Revisão nos estados e redução histórica
Durante a abertura dos trabalhos em plenário, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, explicou que o sistema de apuração estatística reinicia a primeira semana pós-primeiro turno com o histórico acumulado desde o pleito anterior.
“Há uma necessidade de revisitação de toda a situação anterior ao primeiro turno. Então, ele [o número] vem, muito provavelmente, e é o que está acontecendo, caindo”, disse.
Como exemplo prático, Marques citou divergências entre a ferramenta ELO e os relatórios estaduais. Enquanto o sistema nacional marcava 38 alterações em Minas Gerais, a corte regional registrava apenas 17 trocas. “No caso do Piauí, no sistema ELO, constam 18, mas o TRE já nos comunicou que apenas quatro locais de votação foram alterados”, acrescentou.
O ministro destacou ainda que o volume registrado em 2026 simboliza uma redução de 85% na transferência de urnas entre turnos quando comparado às eleições gerais de 2022.
Remanejamentos são rotineiros e seguros
A definição de novos pontos de atendimento cabe aos juízes dos cartórios eleitorais, motivada geralmente por danos prediais ou questões meteorológicas adversas. Carlos Roberto Silva, que também preside o TRE de Santa Catarina, tranquilizou o eleitorado quanto à normalidade do procedimento.
“Os juízes eleitorais divulgam, por todos os meios de comunicação, quando isso acontece e colocam avisos nos locais antigos, onde houve a mudança. Há sempre uma faixa avisando o novo local. Não há prejuízo aos eleitores, não há nenhuma situação de insegurança, é rotina”, afirmou.
O magistrado ressaltou o empenho na comunicação comunitária para evitar abstenções: “Além de colocar os avisos, o rádio fica divulgando constantemente. É um aviso muito efetivo, de uma forma que não há notícias de que eleitores tenham deixado de votar porque houve, eventualmente, essa alteração, que, repito, é uma rotina em todas as eleições”, completou o desembargador.
Para o próximo domingo, a expectativa é de estabilidade, sem grandes remanejamentos de última hora. “Alterações [ainda] são possíveis. Imagine que, nos próximos dias, em algumas regiões do Brasil, ocorra uma chuva de granizo intensa que estrague o telhado de uma escola. É possível, mas em casos muito excepcionais”, completou.
Como consultar o local de votação correto
Diante da propagação de links falsos e boatos em redes sociais e aplicativos de mensagens, a recomendação enfática aos cidadãos é checar seus dados apenas por vias oficiais antes de comparecer à urna. A consulta individual pode ser realizada de forma segura no botão “Onde votar” do aplicativo e-Título ou nas páginas oficiais do TSE e dos respectivos TREs.