As regiões de Campinas e Piracicaba contabilizaram 1.592 registros de roubos e furtos de joias e bens de valor entre janeiro e setembro de 2026. Os dados, fornecidos pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), indicam uma média de cinco crimes dessa natureza por dia, evidenciando uma leve alta em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram notificados 1.582 casos.
Os alvos preferidos dos criminosos
O levantamento detalha quais objetos são mais visados pelos infratores. O ranking de itens subtraídos é liderado por colares e gargantilhas (305 casos), seguidos por alianças (298), anéis (249), relógios (182) e brincos (152).
O diretor do Deinter 2, Oswaldo Diez, aponta que a dificuldade de recuperação dos bens ocorre devido à atuação de redes criminosas organizadas. “Nós percebemos que são quadrilhas, muitas vezes, especializadas, com receptadores também já especializados. A joia, ela é facilmente descaracterizada. Ela é derretida, são retiradas as pedras preciosas. Isso aí descaracteriza aquele objeto que seria a prova daquele crime, ou seja, provando que aquele objeto era o objeto que foi subtraído”, justificou.
Investigações e prevenção
O diretor do Deinter 2 reforça que a colaboração das vítimas é fundamental, sendo necessário fornecer o máximo de detalhes sobre as peças levadas e as circunstâncias do crime. Além disso, ele destaca um padrão observado em casos de invasões domiciliares: “Quando o roubo ou o furto é realizado no interior de uma residência, durante as investigações, em alguns casos, a gente percebe que existe uma ligação entre a vítima e o autor desse crime”, disse.
Impacto direto nas vítimas
O cenário de insegurança atinge tanto comerciantes quanto cidadãos comuns. Em Hortolândia, a esteticista Flávia Teodoro teve sua clínica invadida em maio, sofrendo um prejuízo de cerca de R$ 15 mil. Entre os itens levados, estavam semijoias avaliadas em R$ 4.560. “Particularmente, fiquei entre dois e três meses tentando me equilibrar psicologicamente porque influencia muito. A gente sente além da impotência, a segurança não ajuda, que fica um descaso com o empreendedor”, desabafou.
Já em Santa Bárbara d’Oeste, o autônomo Wagner Almeida foi abordado por criminosos armados em agosto. Durante a ação, ele foi arrastado e teve uma corrente e um relógio subtraídos. “Tentaram me arrastar, eu resisti, para não me levar. Eu falei, pode levar o carro, né? Aí o carro eles não conseguiram levar, mas levaram o relógio meu, né? E a minha corrente que eu tinha, que é valiosa, né?”, relatou. Sobre a experiência traumática, ele concluiu: “Estou ainda bem assustado com tudo o que aconteceu, mas eu creio que Deus vai me dar a vitória e vai tirar essas coisas da minha mente. A gente espera que a Justiça seja feita”.