Alcançar uma vaga em uma universidade pública logo na primeira tentativa exige foco, dedicação e métodos eficientes de estudo. Duas jovens de São Carlos, no interior paulista, conseguiram exatamente esse feito ao adotarem estratégias focadas na resolução de exames anteriores e em uma rotina rigorosa de preparação para os vestibulares mais concorridos do estado.
Estratégia focada em exames anteriores
O contato direto com avaliações aplicadas em anos anteriores é considerado fundamental por especialistas na área educacional. O professor de biologia e diretor de cursinho Lucas Zillig destaca a importância dessa prática, especialmente devido ao perfil dos testes paulistas.
“A Unesp traz textos densos. Vai precisar ter uma leitura crítica. É importante que treine a leitura e interpretação de grandes textos”, explicou o docente.
Ele acrescenta que, na reta final da preparação, focar nessas avaliações ajuda o candidato a compreender a lógica exigida pela banca examinadora. “Para quem vai prestar a primeira vez, é importante que nesse último mês entre em contato com questões antigas para entender o perfil de textos que ela [prova] cobra”, alertou.
Trajetória de aprovação múltipla em exames concorridos
A jovem Maria Júlia dos Santos Estevão, de 18 anos, seguiu à risca a recomendação de treinar com testes passados e colheu frutos expressivos: foi aprovada na USP, na Unesp e na Unicamp simultaneamente em sua primeira participação no processo seletivo.
Cursando atualmente o primeiro ano de Química na USP de São Carlos, ela relembrou que sua decisão pela carreira acadêmica começou a se desenhar durante uma Iniciação Científica que realizou na mesma instituição quando ainda estava no segundo ano do ensino médio. “Os professores sempre falavam da importância de ter uma graduação para crescer profissionalmente”, justificou.
Para intensificar sua preparação no último ano escolar, ela integrou um cursinho comunitário voltado para estudantes de baixa renda, onde aprofundou seus conhecimentos em exatas. Apesar da pressão típica do período pré-vestibular, a estudante relatou que a sensação de dever cumprido trouxe tranquilidade. “Eu sabia que estava fazendo a minha parte. Isso me aliviava a ansiedade. Eu sempre acreditei, mas sonhar e ser aprovado no vestibular é muito diferente. Mesmo sonhando e acreditando no meu potencial, quando eu passei eu não acreditei. É um alívio. Passar é muito bom”, afirmou.
A persistência, segundo ela, é o fator determinante para o sucesso. “A fase do vestibular é também uma fase de dúvidas porque você nunca sabe se o seu estudo vai ser o suficiente para você conseguir passar na universidade”, pontuou.
Mudança de rumo e rotina intensa de estudos
Outro exemplo de sucesso veio da professora Ana Júlia Storti Rosendo, de 23 anos. Já graduada em Letras pela Universidade Federal de São Carlos, ela decidiu migrar para a área de comunicação e garantiu uma vaga em jornalismo na Unesp logo na primeira tentativa.
A rotina, no entanto, exigiu resiliência extrema, já que a preparação ocorreu de forma concomitante com a conclusão do seu Trabalho de Conclusão de Curso e com suas atividades profissionais. “Quando faltava uns 8 meses para o vestibular, eu comecei a estudar. Eu tinha dificuldade em exatas, [então] peguei questões e saí resolvendo. Foi assim que eu fui lembrando das fórmulas, dos conteúdos”, contou.
Utilizando materiais emprestados, ela aproveitava cada intervalo disponível. “Era uma apostila gigantesca. Eu estudava em todo horário que tinha disponível. Depois do trabalho, na hora do almoço, fins de semana.” Todo esse esforço, contudo, cobrou um preço emocional elevado. “Tive ansiedade, problemas de depressão e pânico. Enfrentei tudo isso ao mesmo tempo”, confessou.
Características específicas das avaliações paulistas
Compreender o formato de cada exame faz toda a diferença na preparação a longo prazo. O professor Lucas Zillig detalha que a Unesp possui uma configuração própria em comparação a outras instituições públicas do estado.
“A Unesp tem uma compactação na parte de disciplinas de exatas, em que ela inclui física, química, biologia e matemática dentro de 30 questões. As provas de ciências humanas também apresentam 30 questões, ou seja, a Unesp é uma prova que vai trazer veemente os assuntos de ciências humanas como filosofia, história, geografia e sociologia”, destacou.
Com uma duração de cinco horas e noventa questões de múltipla escolha, o exame exige preparo mental e interpretativo. O docente também aponta a forte presença de interdisciplinaridade nas questões atuais. “Isso é importante, é uma tendência, na verdade, que os vestibulares estão seguindo porque a interdisciplinaridade […] exige na preparação desse candidato, que esse candidato consiga relacionar ideias, consiga pensar fora da caixa.”
No que diz respeito à literatura, embora a instituição não adote uma lista obrigatória de obras, o conteúdo continua marcando presença. “Os movimentos literários, autores e escritores consagrados na literatura brasileira podem aparecer relacionados a algum tema ou a algum movimento literário”, explicou o professor.
“Para se preparar no ponto de vista da literatura, é importante que você entre em contato com provas antigas. Essas provas vão mostrar para você quais autores e escritores consagrados a prova gosta de cobrar. Geralmente, Machado de Assis, Clarice Lispector, mas nós podemos estender a possibilidade de cair nessa prova qualquer autor e escritor que tenha uma posição de relevância dentro da história brasileira”, concluiu.