O político Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai na noite da última sexta-feira (6), em decorrência do processo de impeachment que derrubou Santiago Peña do cargo máximo do Poder Executivo.
A queda de Peña no Senado A destituição de Peña foi sacramentada pelo Senado paraguaio com um placar expressivo de 44 votos a favor e apenas uma abstenção. A medida ocorreu na sequência de uma crise institucional desencadeada pelo fechamento do banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso a depósitos que somavam aproximadamente US$ 850 milhões, o equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões.
Crise no setor financeiro e acusação O Banco Central do Paraguai ordenou a liquidação da instituição financeira na terça-feira (3), após constatar um déficit nos índices de solvência ligados a empréstimos para empresas associadas. Como Peña foi acionista do grupo até março do ano passado, parlamentares da oposição o acusaram de conflito de interesses, manipulação regulatória e desvio de recursos públicos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor is a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Em sua defesa nas redes sociais, Peña declarou que os envolvidos nas irregularidades responderão perante a Justiça e promulgou uma legislação voltada para agilizar o ressarcimento dos correntistas afetados.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.
Quem é o novo presidente Aos 52 anos, o novo chefe de Estado possui uma trajetória política consolidada no Partido Colorado (Associação Nacional Republicana, ANR). Ele atuou como governador de Ñeembucú, exerceu mandatos como deputado federal entre 2013 e 2023, presidiu a Câmara Baixa e comandou a legenda partidária por oito anos. Além disso, Alliana já havia oficializado sua pré-candidatura para as eleições presidenciais previstas para 2028.
Relações exteriores e histórico diplomático Como vice-presidente, Alliana já vinha acumulando atribuições na diplomacia e na política externa. Ele integrou as tratativas em resposta às declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sobre o conflito histórico da Guerra da Tríplice Fronteira, buscando apaziguar os ânimos diplomáticos.
“A distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos”, afirmou o vice. “Paraguai e Brasil são países irmãos. Compartilhamos uma extensa história de cooperação e uma agenda comum de enorme importância o desenvolvimento de nossos povos”, completou.
A transição de poder consolida a nova fase do governo paraguaio em meio aos impactos econômicos e políticos deixados pela paralisação bancária que abalou a estabilidade nacional.