A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) colocou entre suas prioridades o acompanhamento das discussões sobre as novas regras para a jornada de trabalho, os reflexos da reforma tributária e a queda na margem de lucro dos agricultores. A instituição representa cerca de 12,5 mil produtores associados em 35 entidades regionais por todo o país.
Escala de trabalho e colheita O principal receio do segmento envolve a eventual mudança na escala para dois dias de descanso semanais, o que colide com a dinâmica do campo.
Durante o período de safra, o fluxo de atividades exige maior disponibilidade de pessoal, tornando essencial a adaptação das leis trabalhistas. Por isso, a entidade busca assegurar permissões para ampliar as horas extras de acordo com a sazonalidade agrícola e industrial.
O desafio da mão de obra A falta de trabalhadores já afeta diversas frentes do agronegócio nacional e tende a se intensificar caso ocorram restrições severas nas jornadas.
Frente a esse cenário, a robotização surge como solução para elevar a produtividade e otimizar as condições de trabalho. A ideia é delegar tarefas pesadas a maquinários autônomos, deixando os colaboradores focados apenas no monitoramento.
Soluções tecnológicas no campo O mercado já conta com tratores autônomos para aragem, gradagem e colheita, além de robôs movidos a energia solar equipados com câmeras para combater plantas daninhas de forma precisa.
Contudo, os preços elevados e a burocracia para financiamento ainda travam a popularização dessas tecnologias entre os produtores brasileiros.
Reforma tributária e mercado externo Outro motivo de alerta é a tributação das bebidas com açúcar por meio do Imposto Seletivo. A expectativa é que as indústrias reduzam o uso do ingrediente nas receitas, impactando o consumo interno.
“Qualquer redução na demanda impacta o setor, mas as exportações seguem em alta e mercados da África e da Ásia continuam apresentando crescimento no consumo de açúcar, o que pode compensar parte da retração no Brasil e também de outros compradores internacionais, como Europa e Estados Unidos”, avalia José Guilherme Nogueira, diretor da entidade.
Margens apertadas e seguro rural A saúde financeira dos produtores também atravessa momento delicado, com prejuízos estimados em cerca de R$ 3 mil por hectare na atual safra devido à alta nos custos de diesel, fertilizantes, lubrificantes e fretes.
Para blindar o produtor contra essas oscilações, a organização pede a ampliação do seguro rural. A estimativa é que o atual orçamento de R$ 1 bilhão para subvenções seja insuficiente, sendo necessários aportes superiores a R$ 3 bilhões para garantir proteção adequada ao setor.