A corrida por uma vaga aberta no Senado pelo estado de Minnesota tornou-se uma dor de cabeça inesperada para os planos democratas de controlar o Congresso norte-americano. Com a aposentadoria da senadora Tina Smith, o cenário que parecia sob controle transformou-se em uma batalha acirrada, ameaçando a necessidade do partido de vencer quatro cadeiras sem perder nenhuma das atuais para assegurar a maioria parlamentar.
Disputa acirrada e distanciamento estratégico
Considerado historicamente o estado de inclinação democrata mais vulnerável do país, Minnesota não escolhe um republicano para cargos de representação estadual há duas décadas. No entanto, o embate entre a atual vice-governadora democrata, Peggy Flanagan, e a republicana Michele Tafoya, ex-jornalista esportiva da NFL, está em um patamar considerado crítico por lideranças partidárias locais.
Para atrair eleitores independentes e moderados, Tafoya adotou uma linha de campanha voltada ao centro, buscando afastar sua imagem da figura de Donald Trump. Em propaganda televisiva recente, a candidata republicana afirmou abertamente: “Sou uma republicana a favor do direito de escolha. Não tenho medo de enfrentar o meu partido”. Ela complementou sua postura independente destacando: “Quando Trump estiver certo, trabalharei com ele. Quando ele estiver errado, defenderei Minnesota.”
Apesar de o ex-presidente ter declarado em comício recente que “Vocês precisam votar em Michele Tafoya”, a candidata optou por não capitalizar diretamente o apoio. Ao comentar a menção, disse: “Ouvi falar disso”, pontuando em seguida: “Veja bem, esta campanha tem como objetivo unir todos os habitantes de Minnesota, independentemente de terem votado no presidente Trump ou em Kamala Harris.”
Tafoya tenta capitalizar seu renome popular e focar sua mensagem em críticas à gestão local: “Minnesota tem sido governada pela mesma fundação política há tempo demais, e isso não está funcionando. Não se trata de ‘vermelho’ contra ‘azul’. Trata-se de certo contra errado”, disse em anúncio, reforçando que “Serei uma voz independente por Minnesota, porque não precisamos de mais políticos de sempre apresentando as mesmas desculpas.”
Escândalo social e embates na reta final
A campanha conservadora também tem explorado intensamente os desvios de recursos públicos na assistência social do estado. O desgaste fez com que o governador Tim Walz desistisse de disputar um novo mandato, respingando sobre sua vice. Explorando o episódio, Tafoya atacou: “Passei 30 anos cobrindo futebol americano e aprendi uma coisa: quando você fracassa de forma tão grave, você é demitido. Centenas de milhões roubados; dinheiro que deveria alimentar crianças com fome, perdido”.
A tensão é tamanha que fontes partidárias admitiram: “Se Amy Klobuchar não estivesse liderando a chapa como candidata a governadora, esta disputa para o Senado poderia ser um dos nossos maiores problemas no cenário eleitoral”.
Por outro lado, Peggy Flanagan tenta colar a rival no trumpismo para frear seu crescimento. Suas peças publicitárias alegam que “minha oponente, Michele Tafoya, apoia totalmente a ‘guerra sem fim’ de Trump e esses preços absurdos da gasolina” e definem a oponente com a frase: “Ela é a repórter de campo que se tornou uma entusiasta de Trump”.
Flanagan também explora uma declaração polêmica na qual a rival recomendou à população afetada pela inflação que tentasse, “talvez, deixar de ir ao Starbucks uma vez ou outra”. Em resposta direta aos trabalhadores locais, a democrata contra-atacou: “Michele Tafoya talvez não entenda pelo que você está passando, mas eu entendo”.
Finanças e o desafio nacional
No quesito financeiro, os democratas enfrentam um revés incomum em Minnesota. Tafoya superou Flanagan no terceiro trimestre, captando US$ 4,9 milhões contra US$ 4,3 milhões da democrata, e entrou na fase decisiva de outubro com US$ 2,1 milhões em caixa, enquanto a adversária contava com US$ 1,5 milhão. Desde o início do período pós-primárias em agosto, os republicanos desembolsaram cerca de US$ 3,42 milhões no estado, superando por pequena margem os US$ 3,41 milhões investidos pelos democratas.
O quadro gera apreensão geral diante do volume pesado de recursos externos injetados por comitês conservadores em redutos-chave pelo país. Avaliando o momento eleitoral, o estrategista David Axelrod observou: “Todos os indicadores objetivos são favoráveis aos Democratas”, ponderando que, “Mas, como já sofreram derrotas no passado e diante da enxurrada de recursos sendo gastos contra eles, é natural que surja um instinto cauteloso de moderar as expectativas.”