O Ministério Público do Rio Grande do Sul apresentou nesta quarta-feira (4) uma denúncia contra seis pessoas acusadas de desviar donativos internacionais enviados para auxiliar a população atingida pelas cheias de maio de 2024. Se a Justiça aceitar a peça acusatória, o grupo responderá por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.
H2 Esquema de desvio e venda de donativos H3 Origem das investigações internacionais
A atuação coordenada foi detalhada pelo promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, coordenador do 5º Núcleo Regional do GAECO – Serra, que apontou a ocorrência de oito delitos voltados ao comércio ilegal de mantimentos que deveriam ser distribuídos gratuitamente. O caso veio à tona após denúncias chegarem ao Consulado-Geral do Brasil em Miami, indicando que vestimentas recolhadas no exterior estavam sendo comercializadas na Serra gaúcha.
H3 Destino ilegal das mercadorias enviadas
Além de vestimentas, lotes contendo utensílios domésticos, remédios, eletrodomésticos e outros gêneros essenciais arrecadados nos Estados Unidos e em território nacional acabaram desviados para uso pessoal e venda em brechós. O andamento das apurações revelou o emprego de contas bancárias de intermediários, ocultação de bens e transações financeiras com o propósito de mascarar a origem ilícita do dinheiro arrecadado.
H2 Operação Ascaris e recuperação de materiais
As provas reunidas decorrem da Operação Ascaris, deflagrada em dezembro de 2025, que desarticulou o esquema estruturado com divisão de tarefas para armazenar, comercializar e ocultar os lucros obtidos com os donativos. Nas diligências cumpridas na Serra gaúcha, autoridades apreenderam grande volume de caixas com fraldas, sapatos, mamadeiras, itens de higiene, remédios e eletrodomésticos destinados aos desabrigados.
As autoridades também constataram o sumiço de mercadorias doadas por empresas e de vales-combustível voltados às operações de socorro. Com o aval judicial, os produtos recuperados foram destinados a creches, abrigos e entidades beneficentes em cidades como Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul, enquanto bens móveis, imóveis e contas bancárias dos suspeitos sofreram bloqueios para garantir futura reparação dos danos.