Uma menina de 4 anos morreu no último domingo (1º) após ser picada por um escorpião em Três Lagoas, cidade localizada na região centro-oeste do Mato Grosso do Sul. O caso trágico ocorre em um momento em que a prefeitura aponta que o município passa por um estado de infestação, impulsionado pelo aumento expressivo de acidentes com o aracnídeo na região.
Atendimento médico e histórico de óbitos
Após o ataque, a criança foi inicialmente socorrida na UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) e, em seguida, transferida para o Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé. Na unidade hospitalar, ela recebeu o Soro Antiescorpiônico, mas infelizmente não resistiu e veio a óbito.
Segundo informações da administração municipal, esta foi a primeira morte por picada de escorpião registrada oficialmente como originária da própria cidade. Os óbitos anteriores contabilizados em Três Lagoas envolviam pacientes que haviam sido transferidos de outros municípios, uma vez que a cidade atua como referência médica para esse tipo de ocorrência em toda a costa leste sul-mato-grossense.
Estatísticas alarmantes e espécies comuns
Dados oficiais da SMS (Secretaria Municipal de Saúde) revelam que, entre janeiro e outubro deste ano, o município já contabilizou 957 casos de acidentes envolvendo escorpiões.
O Ministério da Saúde aponta que as espécies mais recorrentes do animal no país são o escorpião-amarelo (T. serrulatus), o escorpião-amarelo-do-nordeste, o escorpião-preto-da-amazônia (T. obscurus) e o escorpião-marrom (T. bahiensis).
Sintomas do envenenamento
O quadro clínico do envenenamento costuma iniciar com dor imediata no membro atingido, acompanhada de inchaço, sudorese local e parestesia.
Em um intervalo de duas a três horas — especialmente em crianças, que formam o grupo mais vulnerável —, o quadro pode evoluir para sintomas sistêmicos como náuseas, vômitos e arritmia cardíaca. Para confirmar o diagnóstico, os médicos podem recorrer a exames complementares como eletrocardiograma, exames bioquímicos, ecocardiografia e radiografia do tórax. O tratamento padrão exige a administração hospitalar de Soro Antiescorpiônico ou Soro Antiaracnídico sob rigorosa supervisão médica.
Medidas de prevenção
Diante do alto índice de ocorrências, a pasta de saúde reforça a importância de medidas preventivas para afastar o animal das residências:
- Manter lixos devidamente fechados;
- Combater a proliferação de baratas, que servem de alimento para os escorpiões;
- Manter quintais e jardins limpos, eliminando o acúmulo de entulhos;
- Vedar frestas e buracos em paredes e assoalhos;
- Evitar o cultivo de folhagens densas, plantas ornamentais e trepadeiras rentes às paredes das casas.