O primeiro confronto televisivo do segundo turno da disputa presidencial foi marcado por cobranças diretas de transparência financeira entre os dois concorrentes ao Palácio do Planalto. Durante a transmissão ao vivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs a abertura irrestrita dos dados bancários e de comunicações telefônicas das duas chapas e de seus respectivos familiares.
Troca de acusações no estúdio
A ofensiva do candidato petista ocorreu no decorrer do programa, quando ele sustentou que a iniciativa daria clareza aos eleitores sobre o patrimônio e a conduta de cada postulante. Na ocasião, o presidente disse que queria que os brasileiros soubessem “quem é ladrão nesse país”.
“Eu desafio você, os Bolsonaro e eu, amanhã, abrirmos nossa conta bancária, abrirmos nosso sigilo para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país”, afirmou. “Abrir o telefone, o sigilo de telefone, a sua conta bancária. Eu abro da minha família inteira e você abre da sua família.”
Ao responder no estúdio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou não ter itens a ocultar, evitou firmar um compromisso direto sobre o requerimento e levantou suspeitas sobre o adversário: “Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Só que a questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre. Não está na sua conta, está em algum outro lugar”, afirmou o candidato do PL (Partido Liberal).
Repercussão após o término do debate
Ao deixar o encontro, o petista conversou com jornalistas e reforçou que insistirá na ideia até os próximos compromissos de campanha, afirmando que a apuração é indispensável para frear ataques superficiais.
“Resolvi fazer um desafio ao meu adversário, porque não é possível que você fique fazendo debate falando de corrupção e você não tome uma atitude”, disse Lula à imprensa.
“Eu tomei a atitude de desafiar ele a abrir o sigilo do telefone, o sigilo bancário, para saber quem é corrupto nesse país. Todo mundo acusa todo mundo e não apura nada. Então, vamos apurar. Eu me disponho e vou ficar fazendo o desafio para ele até o próximo debate, para que a gente faça a abertura do nosso sigilo bancário e telefônico, para se apurar quem é que faz corrupção nesse país, quem é que enriqueceu ilicitamente nesse país. Porque não é possível ficar nessa acusação barata de um com o outro”, prosseguiu.
Reação e ironia de Flávio Bolsonaro
Também na saída, o senador avaliou seu desempenho de forma positiva e tratou a exigência do petista com tom de deboche, citando o fato de o adversário não ser usuário de aparelho móvel.
“Eu fiquei feliz com o desempenho, pude falar de propostas e, finalmente, pude rebater várias mentiras aqui. Inclusive, uma foi engraçada: ele propõe a quebra de sigilo telefônico quando ele não tem celular. Minhas contas estão sempre abertas, tudo o que é meu está declarado à Receita”, explicou.
O encontro deste domingo marcou o pontapé inicial dos debates diretos desta fase da eleição, realizado após indefinições sobre o comparecimento de ambos os candidatos. Flávio Bolsonaro foi o primeiro postulante a entrar nas instalações do evento, às 19h25, seguido por Lula dez minutos mais tarde, às 19h35, com o início das discussões ocorrendo às 20h15.