Mãe brasileira localiza filho levado ao Egito há quatro anos

Fotos exclusivas: Menino levado pelo pai ao Egito há 4 anos é localizado por detetives, mas mãe brasileira segue sem conseguir recuperá-lo

Novas fotografias reveladas por investigadores particulares mostram o paradeiro de Adam, o menino brasileiro que foi levado para o território egípcio pelo próprio pai sem consentimento materno há quatro anos. Os registros recentes flagram a criança saindo de uma propriedade associada aos parentes paternos na companhia da avó, em cenas que representam o único contato visual recente da mãe, Karin Rachel Aranha Toledo, com o filho. “Meu filho está andando de boné e máscara para não ser identificado”, disse a mãe.

Busca internacional e ordem judicial As capturas foram obtidas em abril deste ano por uma equipe contratada de forma particular, quase cinco meses depois de os tribunais egípcios determinarem que a guarda legal pertencia integralmente a Karin. No período em que os registros foram feitos, duas diligências oficiais para resgatar o menor na residência já haviam fracassado porque ele não foi encontrado no local. “É surreal eu ver o perfil do meu filho. Essa imagem não sai da minha cabeça toda vez que eu vou dormir, toda vez que eu acordo”, disse a mãe.

Dificuldade na atuação policial estrangeira Mesmo com o sucesso dos investigadores em rastrear o endereço, o menino continua sob a custódia da família paterna no país africano. A defesa da brasileira formalizou acusações criminais contra o genitor, Ahmed Tarek Mohamed Faiz Abedelkaleg, e contra a avó devido ao descumprimento da entrega da criança à responsável legal, mas a execução prática esbarra nas forças de segurança locais. “Eles encontraram o Adam, tudo que você possa imaginar do Adam, mas quem tem que fazer o serviço de pegar o Adam é a polícia, não são os advogados”, relatou. Todo o dossiê produzido pelos profissionais particulares foi devidamente encaminhado às autoridades competentes e à diplomacia do Brasil.

Cronologia da disputa jurídica O imbróglio começou em setembro de 2022, quando o garoto, que tinha apenas 4 anos na época, foi retirado do país natal rumo ao Egito, dando início a uma complexa batalha em tribunais internacionais. No âmbito nacional, a Justiça Federal sediada em Campinas (SP) decretou a prisão preventiva do pai em 2023, inserindo seu nome na relação de procurados da Interpol. Após se mudar para o solo egípcio para acompanhar os desdobramentos legais, Karin obteve a sentença favorável de guarda em novembro de 2025.

Apesar de a Justiça egípcia ter ordenado a detenção temporária do pai e da avó por desobediência, as tentativas de resgate falharam e a defesa solicitou a ampliação da sanção para seis meses. Após sofrer ameaças e passar temporariamente pela Bélgica com o auxílio de uma entidade, Karin retornou ao Brasil e relata falta de segurança para voltar ao território egípcio sem respaldo oficial. “Eu tentei de tudo, eu fiz de tudo e eu consegui tudo. E, no fundo, eu não consegui nada”.

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