Jovem com câncer cerebral agressivo volta a estudar após imunoterapia inovadora

A jovem com câncer no cérebro que voltou a estudar após tratamento experimental na Unicamp

Aos 19 anos, Nayumi Gentil Oliveira precisou travar uma batalha intensa contra o glioblastoma, um tipo agressivo de câncer no cérebro que ameaçou interromper não apenas sua rotina acadêmica, mas sua própria vida. Diagnosticada com um prognóstico inicial de menos de um ano, a jovem viu a enfermidade continuar avançando mesmo após cumprir todas as etapas dos tratamentos médicos convencionais.

A esperança na imunoterapia da Unicamp

Diante da progressão da doença, os familiares buscaram auxílio na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde cientistas vinham testando uma nova técnica de imunoterapia contra o câncer. A intervenção experimental conseguiu conter o avanço do tumor e estabilizou o quadro clínico de Nayumi, devolvendo-lhe a oportunidade de retornar à sala de aula e concluir a educação básica.

“Eu falo que foi a mão de Deus que colocou a gente exatamente na Unicamp. E eu sou muito grata, sou muito grata mesmo. Eu acredito muito que se não fosse a Unicamp, a minha filha não estava comigo hoje, não estava mesmo”, contou a mãe, Naeide Oliveira.

Como atua o OncoTherad

O procedimento médico foi conduzido por especialistas ligados ao Instituto de Biologia da instituição paulista, sob a liderança do diretor Wagner José Fávaro. O grupo investigava o potencial terapêutico de uma tecnologia chamada OncoTherad, patenteada pela própria universidade e inicialmente concebida para combater tumores de bexiga.

O método emprega nanopartículas sintéticas para despertar o sistema imunológico da pessoa doente, estimulando os linfócitos T a combaterem os agentes malignos. Além disso, a técnica induz a fabricação de proteínas de defesa conhecidas como interferon, fundamentais na resposta do organismo.

“O tumor dela diminuiu no primeiro momento e estabilizou. É como se nós colocássemos o tumor dela para dormir”, relatou Wagner José Fávaro.

O pesquisador também destacou o impacto positivo da remissão temporária na rotina da estudante: “Então, com a doença adormecida, a Nayumi voltou à escola, que antes ela tinha abandonado, ela voltou para a escola, conseguiu se formar”, pontuou.

Desafios futuros e novos horizontes

Apesar do sucesso no caso de Nayumi, a tecnologia ainda se encontra em fase de testes para aplicações contra o glioblastoma, o que significa que os resultados obtidos não garantem eficácia universal ou cura definitiva para todos os pacientes.

Agora, superada a etapa escolar, o foco da jovem se voltou para o ingresso no ensino superior, embora as sequelas de concentração ainda imponham barreiras significativas em seu dia a dia.

“Eu não consigo entrar para uma faculdade, por causa que eu sou muito ruim de prestar atenção. Aí, fica difícil para mim”, declarou a estudante.

Ainda assim, sustentada pela fé e pelo suporte médico contínuo, ela mantém o otimismo: “Eu tenho um Deus que me… Ele consegue… Ele me dá forças para tudo o que eu quero. E o tratamento também está me ajudando muito.”

Impacto da ciência brasileira

O percurso de Nayumi ilustra a relevância prática de investigações científicas conduzidas em centros de excelência no país. Ao longo de seis décadas, a Unicamp tem gerado inovações em áreas como medicina, agricultura e tecnologia digital, incluindo avanços no teste do pezinho, aprimoramento de métodos contraceptivos e criação de equipamentos voltados ao combate à desnutrição.

Entre os projetos recentes em destaque está a chamada “caneta do câncer”, desenvolvida pela cientista Livia Schiavinato Eberlin. A ferramenta é capaz de analisar características moleculares de tecidos tumorais durante cirurgias em cerca de dez segundos, auxiliando equipes médicas a determinarem com precisão o limite exato entre áreas doentes e regiões saudáveis que devem ser preservadas.

“Transformador no processo cirúrgico, porque essa informação ajuda o cirurgião, a cirurgiã, a entender onde parar de cortar o tecido, onde que o tumor realmente está presente e qual é o tecido normal que pode ser preservado e não ser retirado do paciente”, pontuou a especialista.

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