Internada após ser vítima de uma tentativa de feminicídio em Sumaré (SP), a dona de casa Elisangela Gonçalves, de 51 anos, usou as redes sociais para gravar um vídeo de agradecimento direto do leito hospitalar. O crime ocorreu na última segunda-feira (2) e, mesmo após receber múltiplos golpes de faca desferidos por seu ex-companheiro, a paciente segue hospitalizada nesta quarta-feira (4).
Agressões e prisão do suspeito
O autor dos ataques foi identificado como Wesley Antonio da Silva, de 47 anos, que não aceitava o término da relação. A Justiça decretou a prisão preventiva do agressor, que também está internado sob escolta policial no Hospital Estadual de Sumaré. Além de ferir gravemente a ex-esposa, o homem desferiu facadas contra o enteado de 18 anos e a filha de 11 anos.
“Continuem orando pela minha recuperação. Deus é maravilhoso e não deixou que isso encerrasse o ciclo da minha vida. Nessa terra eu tenho filhos para criar, tenho muita coisa para viver, para dar orgulho para esse meu pai que é maravilhoso”, declarou a mulher, pontuando que nenhum órgão vital foi atingido durante a ação violenta.
Histórico de ameaças e medo constante
De acordo com Lourran Gonçalves Ferreira, filho mais velho da vítima — que estava ausente no momento da invasão —, o celular da mãe registrava um vasto histórico de intimidações enviadas pelo ex-companheiro. O rapaz relatou que o suspeito espalhava para conhecidos o desejo de tirar a vida de Elisangela e que já havia possuído uma arma de fogo anteriormente.
“Ele falou que ia dar tiro na minha mãe […] Se ele tivesse aquela arma naquele dia, ele tinha matado todo mundo”, afirmou o jovem, acrescentando: “Eles conversavam um pouco e, por celular, ele mandava muita mensagem. Era muita mensagem. Eu pego o celular da minha mãe e é ameaça atrás de ameaça. Ele falou que a minha mãe não vai ficar com mais ninguém. Ele falou para um monte de gente que ele ia matar a minha mãe”.
Planos de mudança e desconfiança na lei
Tomados pelo pavor de uma possível soltura do agressor, os familiares revelam que a residência onde o crime aconteceu será colocada à venda, visto que a sobrevivente se recusa a retornar ao endereço. “Minha mãe não quer voltar para casa. Ela já está tentando arrumar um jeito de vender essa casa”, explicou o filho.
“Ele só queria acabar com nossa família. Se ele sair, ele vai vir aqui e matar a minha mãe. Medida protetiva não segura homem, não segura. Ele pode arrumar um jeito, vir de madrugada”, desabafou o rapaz sobre a sensação de insegurança.
Dinâmica da violência e investigação
O episódio de violência extrema teve lugar na Rua Ismael Garbelin. Durante o ataque, o próprio agresor feriu a si mesmo na região do pescoço. O enteado de 18 anos conseguiu fugir da residência com ferimentos, correndo cerca de 600 metros para pedir socorro. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 4h45 da madrugada.
Enquanto o autor e a ex-companheiros foram socorridos em estado grave para o hospital estadual, os dois filhos menores sofreram lesões leves, receberam atendimento na UPA Macarenko e já tiveram alta médica. A polícia científica realizou a perícia no local e recolheu quatro facas. O caso foi oficialmente catalogado como violência doméstica, tentativa de feminicídio e tentativas de homicídio qualificado.