Uma passageira precisou ser socorrida no porão de carga de uma aeronave da Voepass após desmaiar devido ao calor excessivo dentro da cabine. O episódio, ocorrido em setembro de 2023, consta em documentos de um processo na Justiça Federal que investiga irregularidades na companhia aérea. Na ocasião, o sistema de ar-condicionado falhou, elevando a temperatura interna para 40 °C.
Relatos de omissões e pressão corporativa
A falha no equipamento de refrigeração e pressurização, conhecido tecnicamente como , foi apenas um dos problemas enfrentados pela aeronave de matrícula PP-PTQ. Segundo denúncia formalizada junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e anexada ao inquérito da Polícia Federal, pilotos da empresa de Ribeirão Preto (SP) sofriam pressão constante para não registrar defeitos no livro de bordo. O objetivo da diretoria seria evitar a retenção das aeronaves em solo, garantindo a continuidade das operações apesar das técnicas identificadas no avião.
Cultura de desvios e riscos operacionais
Além do ar-condicionado, a investigação apontou que o sistema de degelo, essencial para a segurança em condições climáticas adversas, também operava com inoperância. A Polícia Federal utilizou o caso da passageira para confrontar a versão da diretoria da empresa, que alegava seguir rigorosamente os protocolos de segurança. A conclusão dos investigadores foi de que a companhia assumiu o risco de um desastre ao priorizar o fluxo financeiro em detrimento da manutenção adequada, prática que o Cenipa descreveu posteriormente como uma “cultura de normalização de desvios”.
Consequências judiciais e fim das atividades
O conjunto de provas coletado pelas autoridades fundamentou o indiciamento de 16 pessoas e tornou réus 12 denunciados pelo Ministério Público Federal, incluindo o proprietário e diretores da companhia. Após o acidente aéreo de agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo (SP), a Anac cassou o certificado de operações da Voepass, levando ao encerramento de suas atividades de voo. Atualmente, a empresa atravessa um processo de recuperação judicial.
Em nota oficial, a Voepass declarou que continua colaborando com o Poder Judiciário e órgãos competentes, reforçando que sempre pautou suas operações em procedimentos regulamentados. A empresa afirmou ainda: “A Voepass reitera seu respeito às autoridades e sua solidariedade aos familiares das vítimas do voo 2283.”