Ucranianos deixam zona de ocupação russa após trégua em Oleshky

Centenas de ucranianos retornam ao país após trégua na guerra em Oleshky

Centenas de moradores e seus animais de estimação conseguiram voltar à Ucrânia depois de deixarem a cidade de Oleshky, situada no sul do país e atualmente sob ocupação russa, amparados por um cessar-fogo articulado com o apoio da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, e defendido pelo Papa Leão XIV.

Reencontros emocionantes na fronteira Para Dmytro, o momento foi de alívio após 1.711 dias separado de sua esposa, Larisa, que perdeu um terço do peso corporal durante o período de isolamento na zona de conflito. Ao ser questionada sobre como estava, Larisa falou de outras pessoas que ainda estão sofrendo. “É difícil para todo o país; há muitas pessoas na mesma situação que eu. Há pessoas em situações diferentes, e algumas estão em uma situação ainda pior. Estamos esperando que tudo isso acabe, que a paz chegue e que venha a vitória”, disse ela à CNN.

O avanço das negociações e a missão histórica O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, utilizou o Telegram para agradecer o empenho internacional na abertura de corredores humanitários e na visibilidade dada à crise. “E agradeço a todos ao redor do mundo — todos os jornalistas, todos os líderes políticos e cívicos, e todas as pessoas preocupadas — que voltaram a atenção global para a situação em Oleshky e para a verdadeira catástrofe humanitária no território da Ucrânia temporariamente ocupado pela Rússia. Quando o mundo presta atenção, vidas são salvas”, disse ele.

A missão também marcou um momento diplomático inédito com a ida do ombudsman ucraniano, Dmytro Lubinets, a áreas ocupadas. Em declaração à CNN após cruzar a fronteira, Lubinets disse que a operação foi extremamente difícil, mas expressou a esperança de que ela possa servir de inspiração para o futuro. “Agora temos uma experiência positiva e única de como negociar com o lado russo, contando com o papel de coordenação de Melania Trump”, disse ele. “Temos muitas vilas semelhantes onde, neste momento, enfrentamos os mesmos problemas com alimentos e medicamentos. Nossa intenção é continuar. Mas isso não depende apenas da Ucrânia”, afirmou à CNN, mencionando conversas com autoridades russas.

Condições extremas e desnutrição A situação humanitária na região era alarmante, marcada pela falta de eletricidade, gás e suprimentos básicos desde o colapso da barragem de Nova Kakhovka e o acirramento dos combates. O diretor do Hospital Regional de Chernihiv, Andriy Zhydenko, destacou que o suporte médico aos evacuados exige cautela redobrada devido aos impactos da fome prolongada. “Há pessoas com ferimentos, sobreviventes de AVC e indivíduos com mobilidade reduzida”, disse ele, acrescentando que toda a equipe do hospital estava muito feliz em receber os cidadãos ucranianos de volta ao seu país. “Todos os meus funcionários quiseram vir para cá. As pessoas sofreram muito lá. Não há humanidade.”

A complexa rota de retorno A viagem de saída exigiu operações complexas de desminagem e um trajeto que incluiu passagens pela Crimeia, voos até a Rússia e Belarus, e finalmente o transporte terrestre rumo ao território ucraniano. Com o fim do período de trégua, o balanço oficial indicou o cumprimento dos acordos por ambas as partes, deixando em aberto o futuro das negociações para novas evacuações em zonas afetadas pelo conflito armado.

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