Uma eventual conferência de alto nível reunindo as três maiores potências militares do planeta entrou no radar diplomático internacional. O líder norte-americano Donald Trump manifestou disposição para sentar-se à mesa com os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, tendo o desarmamento atômico como eixo central das conversas.
Ao abordar o tema em conversa com jornalistas na área externa da Casa Branca, o republicano indicou sua concordância caso haja interesse de Pequim. “Nós a realizaríamos para conversar sobre armas nucleares e desnuclearização”, disse Trump ao ser questionado por repórteres do lado de fora da Casa Branca. “Se o presidente Xi quiser realizá-la, eu a realizarei”, acrescentou.
Possibilidade de diálogo durante cúpula da Apec
A perspectiva de uma reunião de cúpula ganhou força após o governo russo admitir que conversas preliminares tocaram na chance de um diálogo paralelo na conferência da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, esclareceu o estágio das tratativas após questionamentos sobre uma conferência voltada ao encerramento dos confrontos no leste europeu.
“Considerando que os três chefes de Estado podem, potencialmente, participar da cúpula na China, o assunto dessa hipotética reunião foi de fato levantado. Foi levantado, mas nenhuma proposta ou acordo específico foi discutido ou apresentado por ninguém, seja em relação à reunião em si, seja à possível pauta e ao conteúdo dessa reunião”, disse Peskov.
Reação contrária do governo ucraniano
A formulação do encontro sem a presença de Kiev provocou protestos imediatos das autoridades da Ucrânia. O chanceler do país, Andrii Sybiha, rejeitou o modelo trilateral entre as superpotências por avaliar que a iniciativa traria prejuízos à busca pela paz.
“Uma reunião trilateral entre os líderes da Ucrânia, dos EUA e da Rússia poderia ajudar a pôr fim à guerra mais cedo. Uma reunião trilateral entre os líderes da Rússia, da China e dos EUA teria exatamente o efeito oposto: encorajaria Putin a continuar essa guerra”, afirmou ele no X.
Papel de Kiev e impasses diplomáticos
Apesar do debate sobre o formato entre as potências, o porta-voz do Kremlin ressaltou em coletiva à imprensa que Moscou reconhece o empenho de mediação dos Estados Unidos, mas enfatizou que qualquer desfecho sustentável exige representação ucraniana. “É claro que um acordo final é impossível sem a participação de alguém em Kiev que esteja disposto a assumir a responsabilidade”, disse ele.
As últimas tentativas de negociação intermediadas por Washington aconteceram em fevereiro, antes da eclosão do conflito entre forças norte-americanas, Israel e o Irã. Atualmente, os posicionamentos de russos e ucranianos permanecem profundamente divergentes a respeito das condições mínimas para um cessar-fogo definitivo.