Santiago Peña é levado para quartel militar após impeachment

Santiago Peña é transferido para unidade especial das Forças Armadas

O ex-presidente destituído do Paraguai, Santiago Peña, foi transferido na noite de sexta-feira (6) para uma instalação militar de segurança máxima das Forças Armadas paraguaias, conforme veículos locais de imprensa.

Protestos e tensão em Assunção Anteriormente cumprindo prisão domiciliar determinada pelo Ministério Público, o político recebeu intimação para comparecer à promotoria na manhã de sábado (7). A decisão da Promotoria ocorreu logo após o Senado aprovar o impedimento definitivo de seu mandato.

Durante a noite, manifestantes se concentraram em frente à residência oficial do político na capital paraguaia, registrando-se confrontos contra as forças de segurança. Veículos de comunicação registraram populares atirando ovos e proferindo ofensas contra o automóvel que transportava o líder destituído.

“Da noite para o dia, há pessoas passando fome, pessoas que não têm como pagar a passagem de ônibus, pessoas que não têm o suficiente para viver amanhã. Por quê? Por causa de Santiago Peña e de todo o grupo Vázquez. Por quê? Porque eles não conseguiram controlar sua ganância, não conseguiram pensar no povo paraguaio, que hoje não tem o suficiente para sobreviver amanhã”, disse uma manifestante em frente à residência à agência Reuters.

Detalhes da detenção militar A transferência levou o ex-mandatário para o Regimento de Escolta Presidencial, quartel militar responsável pela proteção do chefe de Estado, familiares, ex-presidentes e autoridades estrangeiras em missões oficiais no território nacional.

A origem da crise política O colapso teve início quando o Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, na terça-feira (3), após detectar falhas graves de solvência decorrentes de empréstimos a companhias associadas.

Economista empossado no cargo em 2023, Peña manteve ações até março do ano anterior no conglomerado dono da instituição financeira, que atendia aproximadamente 3 milhões de cidadãos e guardava cerca de US$ 850 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões) em ativos de correntistas, incluindo reservas do sistema previdenciário nacional.

Conflito de interesses e acusação formal Partidos contrários ao governo imputaram ao ex-presidente acusações de conflito de interesses, interferência regulatória,propina, desvio de fundos de aposentadoria e proteção institucional por parte do órgão regulador monetário.

“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.

Medidas e promessas de punição Antes de sancionar legislação voltada a acelerar o reembolso dos valores aos correntistas afetados, o ex-mandatário declarou em sua conta na plataforma X que os culpados pelos problemas financeiros responderão perante a lei.

“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.

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