Uma equipe de mergulhadores do Brasil viajou ao Egito em outubro para explorar as profundezas do Mar Vermelho, reconhecido globalmente como um dos principais santuários para o mergulho recreativo. Durante a jornada, os profissionais documentaram uma rica variedade de espécies marinhas, corais vibrantes e pequenos animais que habitam o ecossistema local.
História milenar e engenharia moderna Além de sua relevância ecológica, o local carrega forte simbolismo histórico por sua menção na Bíblia, no episódio em que Moisés teria aberto as águas para a fuga do povo judeu. A região também abriga o Canal de Suez, via artificial inaugurada em 1869 após dez anos de obras em parceria entre Egito e França, que revolucionou a navegação mundial ao conectar o Mar Vermelho ao Mediterrâneo sem a necessidade de contornar a África.
Mistérios da coloração e paixão pelas profundezas A origem do nome da região ainda gera debates científicos, sendo atribuída tanto à presença de cianobactérias que formam manchas avermelhadas quanto à poeira rica em minério de ferro trazida pelo vento das montanhas da Península do Sinai. Foi nesse cenário fascinante que a advogada Flávia Bortolini, de 34 anos, realizou o sonho de mergulhar após iniciar sua trajetória no esporte no início de 2024 em Ilhabela e passar por diversos pontos no Brasil e no exterior.
“Quando eu descobri que era possível fazer curso de mergulho eu me inscrevi em um e comecei a mergulhar isso era começo de 2024. Meu primeiro mergulho foi em Ilha Bela, na famosa Ilha das Cabras. E desde o meu primeiro mergulho eu já sabia que eu queria fazer aquilo para sempre”, conta Flávia.
Exploração no Parque Nacional Ras Mohammed O roteiro egípcio incluiu paradas culturais no Templo de Luxor e no Vale dos Reis, mas o ápice da viagem ocorreu no Parque Nacional Ras Mohammed, localizado na extremidade sul da Península do Sinai.
“Eu gosto muito de fotografar peixes no geral, mas tartarugas elas têm um lugar no meu coração. E tem uma coisa que me encanta muito que é a vida macro, são pequenos animais. Maria-da-toca, caranguejos, camarões pequenos isso tudo também eu adoro fotografar. Minha câmera, apesar de ser uma câmera bastante simples porque fotografia subaquática exige um equipamento bastante elaborado, a minha câmera é uma câmera de entrada, vamos dizer assim na fotografia sub, mas é uma câmera muito boa pra fazer fotos macro”, diz Flávia.
Um aquário natural a céu aberto Durante a estadia, o grupo enfrentou variações de correnteza e realizou cerca de quatro mergulhos diários, aproveitando as condições ideais de temperatura e visibilidade proporcionadas pelas águas egípcias.
“O Mar Vermelho é um aquário, era um sonho para mim por causa disso, ele é um aquário a céu aberto, então a vida vida marinha que apesar de ser vida marinha pequena, são pequenos peixes, não é um lugar de vida marinha grande, então não tem grandes tubarões, baleias grandes, raias, tudo mais, bastante difícil ver isso aqui”, relata Flávia Bortolini.
A expedição exigiu preparação técnica avançada, incluindo certificações específicas para o uso de misturas gasosas e navegação em profundidades que alcançaram até trinta metros.
“A temperatura da água aqui gira entre 25 C e 27 C, visibilidade de 30 metros, então é uma água linda, azul, é um destino barato de mergulho assim considerando para uma viagem internacional. A gente faz aqui durante uma semana, uma média de quatro mergulhos por dia é sempre três diurno e um noturno. Então é uma semana disso, é um destino incrível, eu acho que para quem gosta de mergulhar é um destino fácil, você tendo o curso avançado de mergulho que é necessário para poder fazer, porque a maioria dos mergulhos aqui tão entre 15 m e 20 m, alguns chegando a 30 metros”, explica Flávia Bortolini.
“Teve lugares que a gente pegou com muita correnteza tipo quase que indo à deriva né, e teve mergulhos aqui de você conseguir ficar parado sem sair do lugar porque não tinha uma correnteza. Mas é incrível, é uma viagem dos sonhos mesmo”, conclui Flávia Bortolini.