O número de instrutores de trânsito autônomos cadastrados no Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) cresceu quase 15 vezes na região de Campinas (SP) desde o início do ano. A área da superintendência, que abrange 25 cidades, saltou de 59 profissionais em fevereiro para 872 em outubro, sendo que a metrópole concentra 254 destes trabalhadores.
Impacto nas emissões e economia no processo
Entre janeiro e agosto de 2026, a região registrou 42.347 emissões de primeira habilitação, uma alta de 11% em comparação com as 38.052 emitidas no mesmo período de 2025. Parte dessas aprovações ocorreu com pessoas preparadas por profissionais autônomos.
“Está tendo, realmente, um número expressivo. Isso faz com que tenhamos um equilíbrio entre oferta e demanda. Não há um preço fixo para esses novos instrutores que vão fazer todo esse processo de aprendizado para essas novas pessoas que estão ingressando também”, comenta Luiz Vicente Mello Filho, especialista em mobilidade.
Flexibilidade na rotina dos profissionais
A Francisca Ferreira de Oliveira é instrutora autônoma e afirma que encontrou no novo modelo de negócio uma oportunidade para flexibilizar a rotina e atender mais clientes. “Eu já sou da área há 16 anos. Quando veio a possibilidade, eu não pensei duas vezes. Abracei. Você poder fazer seu próprio horário, sua carga horária”.
“A gente pode começar às 7h e ir até o horário que o aluno tem disponibilidade. Para quem trabalha, acho que essa é uma oportunidade muito boa”, comenta. O instrutor de direção Gerson André Santana também tem visto a mudança como positiva. “Eu começo, às vezes, 6h e termino às 20h, de segunda a segunda. Quase não tô parando para atender todo mundo”.
Requisitos para atuar de forma independente
Para trabalhar como instrutor autônomo, o profissional precisa cumprir uma série de exigências estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e pelo Detran. O nome do instrutor deve constar em registros oficiais, que podem ser consultados pelos alunos nos sites do Detran e do Ministério dos Transportes.
As principais regras incluem ter no mínimo 21 anos de idade e habilitação há pelo menos dois anos, possuir ensino médio completo e formação específica em habilidades pedagógicas, não ter cometido infração gravíssima nos últimos 60 dias nem ter a CNH cassada, além de apresentar certificado de curso específico realizado pelo órgão executivo de trânsito.
Normas para veículos e novas regras da CNH
Além das exigências pessoais, o carro usado nas aulas deve estar identificado como veículo de instrução e atender a critérios de segurança. A legislação também estipula limites de fabricação: até 8 anos para motos, 12 anos para carros e 20 anos para veículos de carga. Durante as aulas, o instrutor é obrigado a portar a CNH, credencial do órgão competente, Licença de Aprendizagem Veicular e o documento do veículo.
A flexibilização do processo de habilitação trouxe diversas alterações que tornaram a avaliação mais baseada no desempenho geral e buscam reduzir os custos para o aluno em até 80%. Entre as principais mudanças estão o fim da obrigatoriedade da autoescola, curso teórico gratuito e online sem carga horária mínima fixa, aulas práticas com exigência de cerca de 2 horas obrigatórias, liberação do uso de veículo próprio nas aulas e na prova prática, além do fim da obrigatoriedade da baliza como critério eliminatório no exame prático e o fim do prazo de 12 meses para concluir o processo.