Um avião de pequeno porte realizou um pouso forçado na divisa entre Americana (SP) e Nova Odessa (SP) na última quinta-feira (5). O instrutor e o aluno que ocupavam a aeronave escaparam sem nenhum ferimento após o veículo parar com as rodas para cima em uma área de campo aberto.
O socorro imediato e o susto da tripulação
Um morador da região vizinha ao aeroporto relatou ter escutado um forte estrondo por volta das 16h. Ao sair para verificar o que havia acontecido, encontrou o avião já no solo e correu para prestar socorro.
Segundo o relato, os ocupantes conseguiram deixar a cabine sozinhos, mas apresentavam sinais evidentes de pânico após a manobra arriscada.
“Estavam muito tremendo, o piloto e o aluno. Estavam com muito medo”, relatou Miguel Donaire Coca.
O morador ofereceu água e perguntou se precisavam de assistência médica ou de comunicação, mas foi informado de que eles já estavam providenciando o contato com o proprietário do veículo aéreo.
“Eu ofereci água. Falei: ‘Eu moro aqui, vocês querem tomar uma água? Precisam de alguma coisa?’. Ele falou que não, que já estavam ligando para o dono do avião”, contou.
Falha no motor e escolha do campo aberto
Conversando com o morador, os tripulantes explicaram que enfrentaram uma pane mecânica repentina durante o voo, o que obrigou a dupla a procurar um local desocupado para tentar uma aterrissagem de emergência longe de áreas residenciais.
“Eles falaram: ‘Perdemos alguma coisa do motor’. Aí, nós vínhamos em linha reta e aproximamos, jogamos o avião mais para cá, para o meio da roça”, contou.
Apesar de o estrondo ter sido inicialmente confundido com a passagem de um trem, o temor de uma possível detonação da carcaça preocupou quem presidiu o resgate inicial.
“Eu achei que podia explodir o avião, porque a gente vê tantas coisas acontecendo. Mas, graças a Deus, não aconteceu nada”, afirmou.
Detalhes da aeronave e investigação oficial
O modelo envolvido no incidente é um Cessna 152, com prefixo PR-WDA, pertencente à Sierra Bravo Aviation Escola de Acácia Civil. A aeronave costuma ser empregada em treinamentos práticos para formação de pilotos privados, comerciais e instrutores de voo.
Em nota oficial emitida para esclarecer o episódio, a instituição detalhou como o acidente se desenvolveu no terreno irregular.
“Em relação ao ocorrido, esclarecemos que se tratou de um pouso fora da pista, em um campo aberto. Em razão das características do relevo do terreno, após o pouso, a aeronave acabou cedendo para a frente. Ressaltamos que não houve feridos ou qualquer tipo de lesão. Tanto o aluno quanto o instrutor estão bem. A situação está sendo acompanhada e todas as providências necessárias estão sendo tomadas com tranquilidade e responsabilidade. Neste momento, aguardamos a liberação da aeronave pelo CENIPA, órgão responsável pela apuração, para que sejam realizados os procedimentos de manutenção pertinentes. A escola segue acompanhando o caso e conduzindo as medidas necessárias da melhor forma possível, sempre priorizando a segurança de todos os envolvidos.”
Equipes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB), foram acionadas para examinar os destroços, avaliar os danos materiais e apurar os fatores que contribuíram para o desfecho do voo de instrução.