Operação policial desarticula rede de agiotagem que tomava imóveis em Campinas

Esquema de agiotagem com 41 envolvidos movimentou R$ 13 milhões apenas com empréstimos

Uma operação realizada nesta sexta-feira (6) desarticulou uma organização criminosa suspeita de comandar um esquema de agiotagem e extorsão em Campinas, no interior de São Paulo. A ação policial resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra dezenas de investigados por fraudes financeiras e tomada ilegal de propriedades.

Investigação detalha atuação de 41 envolvidos De acordo com os levantamentos conduzidos pelo Ministério Público de São Paulo, 41 pessoas, entre físicas e jurídicas, participaram da rede ilícita. D esse total, 11 foram apontadas como líderes do grupo, enquanto as outras 30 atuaram no financiamento e suporte operacional. A apuração revelou que apenas com empréstimos ilegais a quadrilha movimentou R$ 13 milhões, acumulando lucros estimados em R$ 4,6 milhões, sem contabilizar o valor dos imóveis tomados das vítimas. O processo corre sob sigilo judicial na reta final da fase investigativa.

Modus operandi da quadrilha de agiotagem O esquema consistia em atrair pessoas que enfrentavam dificuldades para obter crédito no sistema bancário tradicional. Os criminosos exigiam bens imobiliários como garantia e utilizavam contratos formais em cartório que mascaravam as taxas reais cobradas.

A atuação contava com a participação de um escrevente de cartório e de empresas de fachada criadas para emitir boletos e movimentar o dinheiro. Os pagamentos mensais realizados pelas vítimas eram frequentemente ignorados para inflar as dívidas artificialmente, culminando na perda forçada das propriedades dadas como garantia.

Esclarecimentos dos citados no processo Durante as diligências, um escrevente vinculado ao 4º Cartório de Notas de Campinas foi alvo de prisão preventiva. Em nota oficial, o cartório declarou que não é investigado e que as suspeitas recaem exclusivamente sobre a conduta individual do funcionário. Por sua vez, a defesa técnica do investigado informou que aguarda a liberação integral dos autos para se manifestar sobre as acusações.

Contexto da Operação Shylock Batizada de Shylock em referência a uma obra clássica de William Shakespeare, a investida policial contou com a atuação coordenada do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e forças de segurança estaduais. Além das capturas, a Justiça decretou o bloqueio de ativos financeiros e o sequestro de bens para resguardar o patrimônio das vítimas e coibir novas fraudes.

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