Dia dos professores: trajetórias emocionantes na região de Campinas

Aos 98 anos, professor diz que gratidão é o orgulho da profissão, mas lamenta: 'Poucos voltam para agradecer'

Completando 98 anos de idade e uma vida dedicada à docência, Antônio Benedito Prado Fortuna carrega o magistério como um legado de família. Filho de mestra e ex-professor da Faculdade de Medicina da Unicamp, ele aponta que a motivação para a carreira nasceu no próprio lar, tendo sido alfabetizado na infância por Dona Noemi.

Vocação e idealismo na sala de aula Refletindo sobre a data comemorativa desta quinta-feira (15), o educador veterano ressalta que a escolha pela docência nasce da paixão, já que a remuneração financeira não é o foco de quem assume o compromisso de ensinar. “Qualquer um que se dedique ao ensino é um idealista, porque ele sabe que não vai ficar rico com a profissão”, afirmou. Apesar de se sentir profundamente recompensado pelo carinho de quem passou por suas turmas, ele não esconde uma certa frustração: “São poucos os que voltam a agradecer”.

Novos desafios para educadores modernos A prática pedagógica também se transforma com o passar das gerações, exigindo constante adaptação dos profissionais. Para Wagner Gomes Sebastião, com 21 anos de experiência, a essência do trabalho vai muito além de repassar matérias tradicionais, demandando sintonia com as rápidas mudanças sociais. “Uma questão que a gente nunca pode perder é a questão da humanidade. Então, cada vez mais o professor ele se torna mais humano a cada aula que ele dá”, afirmou.

Empatia e acolhimento como ferramentas de ensino Superar barreiras pessoais para se conectar com os alunos é a missão da professora de inglês Paula Carolina de Oliveira Marques. Utilizando sua própria história de superação e perdas na infância, ela busca estabelecer um vínculo profundo com a realidade de cada estudante. “Assim como tem alunos que não têm pai e mãe, eu também não tive”, relatou.

Para a docente, a verdadeira essência de educar reside na capacidade de enxergar o indivíduo por inteiro, indo muito além do currículo escolar obrigatório. “Eu acredito que a educação é isso, é transformar, é acolher de fato esses alunos. Não olhar somente como o aprendizado, mas olhar o histórico que ele traz de vida”, disse.

Histórias como essas reforçam a relevância e o impacto transformador da profissão docente em Campinas e região, celebrando aqueles que dedicam suas vidas ao aprendizado alheio.

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